quinta-feira, maio 06, 2010

Prova de amor

Por ela, eu teria aprendido até mesmo a gostar de incenso. Por ela, passaria não só a concordar, como a defender que Starway to heaven era a música mais romântica do Led. Deixaria que ela ficasse com o lado da cama que encosta na parede. Mesmo adorando dormir encostado na parede. Pararia de roer as unhas. Faria serenata. Mesmo sabendo que a turma do prédio dela era a mesma que o apelidava de “lambda lambda” na escola. Passaria a comprar requeijão e coca lights. Light, não. Zero. Mas guaraná Zero não, que ninguém merece. Não reclamaria mais do gloss de morango que ela tanto adora. Acompanharia a mãe dela ao supermercado, carregando as sacolas, inclusive. Daquelas ecológicas, pra não destruir o planeta. Na volta, eu até veria, pela décima oitava vez, o álbum de fotos da festa de oito anos dela, aquela em que contrataram o palhaço Tic Tac. Baixaria também pra ela a discografia completa do palhaço Tic Tac, incluindo aquela regravação obscura de 1982. Daria a ela o último halls do pacote. Mesmo que fosse do pacote azul. Deixaria que ela instalasse o The Sims no meu computador e passasse a flertar com o Vladimir Caixão. Assim, na minha frente. Até votaria no PSDB. Mas só para vereador. (ah, o voto é secreto mesmo, como ela poderia saber? Basta manter a pose e transmitir confiança na voz) Iria com ela a exposições de arte contemporânea. Eu disse exposições de arte contemporânea? Não, tenho certeza que disse exposição de arte contemporânea, no singular. Aliás, acho que eu disse Bienal. Sim, uma vez a cada dois anos, como prova de meu infinito amor, iria a uma exposição de arte contemporânea com ela. Pena que tudo terminou, sabe...

2 comentários:

Amélie™ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Amélie™ disse...

Esse amor 'quase incondicional' me fez rir.
Bjs.
;)