segunda-feira, março 09, 2009

Little boxes

Eu tenho as minhas caixinhas. Que podem ser chamadas como vocês preferirem. Gavetinhas, arquivinhos, departamentos, buracos, espaços... Nessas caixinhas, eu despejo pessoas. Eu arquivo essas pessoas. E esqueço delas. Quando elas me fazem sofrer de alguma forma, são colocadas nessas caixas e arquivadas. É como uma proteção, um lugar seguro, um jeito de me prevenir de mais dor. Mas as chaves ficam por aí, meio largadas. De vez em quando eu tropeço nelas, e isso me faz encontrar a caixinha correspondente. Por vezes é preciso remexer o conteúdo, o que implica em reviver certas coisas que seria melhor esquecer. Estou tentando abolir as caixinhas. Faxinão mesmo. Não sei se vai rolar, mas acho que pode até ser uma boa idéia. Se eu conseguir lidar com a poeira, as teias de aranha, os espirros, a irritação que tudo isso vai causar. O problema é que não sei bem por onde começar. Talvez pelo começo. Pelas rebarbas, diz a psicóloga. Vou tentar.

"...Little boxes on the hillside
Little boxes made of ticky tacky
Little boxes
Little boxes
Little boxes all the same
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same"

("Little Boxes" - Malvina Reynolds)

Um comentário:

André Luiz disse...

há caixas e há caixas.

Cuidado para não jogar as jóias da família.