terça-feira, novembro 18, 2008

Inexorável

Vontade de te escrever, menininho. Poutz. Eu devo ser a louca da parada né? Psicótica. Manda internar de uma vez. Porque eu consigo te escrever assim, publicamente, mas não consigo abrir o imeiu e escrever pra você. Manja a porralouquice da pessoa que consegue escrever pra toda a web ler e não consegue escrever pro moço ler sozinho? Por que será né? Que eu tenho esses problemas. Eu não consigo sequer manter a coerência do texto. Começo em primeira pessoa, termino na terceira, começo falando com todo mundo, termino conversando com alguém. É que lá não tem escapatória, né? No email, eu quero dizer. Sou eu ali cara lavada (mal lavada, com um pouquinho de lápis e rímel de ontem, rs) e ele ali, carinha linda, olhinhos que eu amo e amo e amo. Porque eu amo seus olhos. Você sabia, menininho? Nunca disse, né? Arrá! Nunca digo essas coisas bonitas e fofuchas que alegram os corações das massas. Por que, por que? Mas a questão é bem essa mesmo. Aqui, minha gente, dá pra eu disfarçar, olhar pra cima, assoviar e fingir que é tudo ficção, manja? E você, menininho, pode até achar que é com você que eu to falando, mas nunca dá pra ter certeza. Não absoluta. Mas é, viu? rs... É pra você sim que tô escrevendo, embora a negação da coisa toda faça parte do processo. Daí que o que eu queria dizer é que meu coraçãozinho bobo e roxo pula, pulula, ulula por você (rá, adoro!), assim, na maior pieguice do universo. E daí vou até a estratosfera quando você me olha, e quando sorri, e quando me abraça, e quando fala a coisa mas sensata que poderia ser dita e eu adoro porque, oi, sensatez, aqui não há lugar pra você, né? Vocês sabem... Não aqui nesse corpitcho. Não aqui nessa cabecinha oca... Mas daí vem você que põe tudo no lugar e eu fico achando que andei bêbada nos últimos anos. Chapada, né, só podia, porque tu estava aí esse tempo todo, né, meu. E a cegueira predominava. Amor, amor, amor, só o que consigo explicar, o inexplicável, incontrolável e mil e uma outras dessas palavrinhas que deixam qualquer texto o must... Né? Tipo esse título que eu dei, rs. Dai eu fico aqui pensando, caralho, sou o ser mais bagunçado dessa cidade, cara, como eu sou uma pessoa dessas zoneadas, complicadas, e me aparece um menino assim todo arrumadinho pra eu atrapalhar, rá, eu sei, eu sei, calma, foi meio ironic mode esse atrapalhar. Eu não te atrapalho, eu meio que bagunço, mas no sentido bom da coisa, sabe? Eu sei que você sabe, meu bem, eu sei... De rasgar uns papéis e jogar pro alto, e rir e encher a cara de sorvete na saída do cinema? Nham nham, sabe, né? Então, nesse sentido de bagunça, uma bagunça altamente TESÃO mesmo, aquela coisa gostosa. Olhar pro lado e sentir que vcê tá ali... Poutz, que bom sentir isso. Saber que dá pra contar, sabe? Que se eu precisar, você vem... Ai, ai, que bom que está sendo pra mim, altos e baixos a parte (e nem encana, que essa parte é do pacote K. mesmo, é esquema meu, de fábrica) e coisa e tal tá melhorando tudo, sabe? Queria dizer assim com todas as letras que a vida tá melhor mesmo, e acho que estar junto é bem isso sabe? É acima de tudo dividir felicidade. Pronto, a brega, mas valha-me, que não tem como escrever sobre amor sem rolar na lama da breguice, né? E daí também, deixem que diguem que pensem e que falem, a idéia tá aí, acho que consegui pelo menos um pouquinho. Você ainda vai receber um e-mail meu nem sei quando, mas vai. Prometo. Porque você merece uma dessas cartinhas assinadas, datadas, com teu nome e coraçõeszinhos fofuchos embaixo. Você merece. E, se quiser, tem tudo de mim, tudo o que eu puder, lembra que sou menina de fases, não sou mulher de fases porque eu não me sinto assim, mulher, ai, que eu sempre me comprmeto com essas frases de efeito... É que é assim, eu mais me sinto adolescente do que mulher, mesmo com o trintão batendo na porta, é vergonhoso, eu sei, mas em geal é essa parte quem fala por aqui... Mas eu dizia, eu tenho minhas fases, mas em geral é meio que só mau humor e passa, enquanto que o sentimento não passa, pelo contrário, só aumenta e aumenta e aumenta. Tá aí, uffs. Acho que consegui. Pari um e-mail. Foi foda, viu? Contrações e pams, e fórceps no final, e meio que não teve final, só larguei mão mesmo e terminei. Um beijo, menininho. Fica bem.

"Preciso de um dia a seu lado
Pra que tudo se resolva enfim
Eu sei que eu posso ser o seu agrado
É só você cuidar de mim..."
(Legião Urbana - Quando Nada Mais)

Um comentário:

Anasor Orisho disse...

sinto cheiro de gente feliz aqui...

deixo um trecho do pequeno principe para ti...

bjo

"Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar."

Antoine de Saint-Exupéry