Ele chega e tira os óculos, que é pra poder me ver melhor. Chega com cheiro doce e gosto meio amargo, de chocolate, que já sabe que é o meu favorito. E sorrisos de amores, e cafunés para adormecer, e silêncios de segredo e olhares fixos que andam me dizendo tanto, tanto. E faz o frio desanimado passar, e vai embora cedo, mesmo quando é bem tarde. Porque pra mim sempre é cedo. E deixa tudo vazio, meio oco, mas ao mesmo tempo tão cheio, tão pleno. Ai. Nem sei. Me calo, porque nem precisa dizer mais nada. Precisa?
"A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada."
(Adélia Prado)
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