sexta-feira, outubro 26, 2007

Vou-me embora

Ficou um vazio, assim, um silêncio. Como se aquelas palavras me preenchessem. E preenchiam, de certa forma. Mas não sei mais dizer se da maneira mais certa, da mais válida. Eram só palavras, afinal. E elas são mesmo assim, quando sabemos quais escolher e onde colocá-las. Eu sei muito bem como fazer isso também. Construir castelos de palavras. As paredes sobem sozinhas, enfeitadas dos mais ricos balaústres, ornamentadas. Sobem torres, pilastras, parapeitos, belos conjuntos arquitetônicos. Elas assumem os significados mais amplos e variados. Tocam, encantam, agradam. Mas ainda assim não deixam de ser só palavras. Eu tenho tantas dúvidas ainda, estou tão confusa, mas esse é o meu momento agora, e daqui a cinco minutos pode tudo estar mudado, revirado, e uma linda flor nascendo novamente, em meio às ruínas do castelo destroçado.

"Amor perfeito
Amor quase perfeito
Amor de perdição, paixão que cobre
Todo o meu pobre peito pela vida afora
Vou-me embora, embromadora
Você para mim agora
Passa como jogadora
Sem graça, nem surpresa
Diga que perdi a cabeça
Se eu me levantar da mesa e partir
Antes do final do jogo
Louco seria prosseguir essa partida
Peça falsa que se enraíza
E faz negro todo meu desejo pela vida afora
Vou-me embora, embromadora
E quando eu saltar de banda
E quanto eu saltar de lado
Vou desabar seu castelo de cartas marcadas
E tramas variadas
Sim
Seu castelo de baralho vai se desmanchar
Desmantelado
Decifrado
Sobre o borralho da sarjeta
Chegou o inverno!"

(Dona De Castelo - Jards M./ Waly Salomão - Adriana Calcanhoto)

Um comentário:

Renata disse...

ô musica linda...
e como dói.