sexta-feira, setembro 14, 2007

Quem quando onde como por que?

Tenho sérios problemas com a minha profissão, apesar de amar algumas de suas facetas.

AMO escrever, escrever é a forma na qual eu melhor me expresso, o jeito que eu encontro de dizer tudo aquilo que entalou aqui na garganta e simplesmente não desce de jeito nenhum. É o que eu sei fazer, a área que eu domino, algo que me dá prazer.

AMO contar histórias de gente. Gente interessante, gente comum, gente chata, gente diferente, gente famosa, gente anônima, gente de todo tipo. Gosto de conversar com as pessoas e depois sentar na frente do computador e escrever a história delas.

Na minha cabeça a minha vida seria perfeita se eu pudesse viver de escrever histórias de gente. Daí surgiu a área de jornalismo.

Mas sei lá, escrever é uma coisa de feeeling. Ou você sabe, ou não sabe, e fica difícil aprender. Tive amigos brilhantes na faculdade, que escreviam textos maravilhosos. Outros eram apenas corretos, seguiam o protocolo e lá estava o texto. E tanto os brilhantes quanto os corretos tinham o mesmo desempenho no curso. Porque o jornalismo trivial não é uma área de feeling, é uma área de construção de texto. Só.

No mercado de trabalho, mais decepções. Os textos editados, virados do avesso, cortados sem dó, os interesses políticos, a pressão em preencher espaços e mais espaços vazios com texto correndo contra o tempo, as puxadas de tapete fenomenais, o lado comercial da coisa, que bate de frente com seus ideais, com seus princípios, a disputa, os sábados, domingos, feriados, noites e madrugadas mal dormidas trabalhando, a enchaqueca que me deixava sem enxergar direito de tanta dor, as tendinites, tudo aquilo que me deixava sem vontade de levantar da cama para começar mais um dia.

Não. Chega. Estou longe das redações e assessorias e muito feliz. Só volto para o jornalismo em duas hipóteses que são muito claras na minha cabeça: freela esporádico para uma revista bem zen ou um livro-reportagem. Só. Mil vezes minha qualidade de vida, minha cabeça sem latejar, meu fim de semana preservado e minha consciência no lugar. Mil vezes, não. Um milhão de vezes!

Um comentário:

Camilinha disse...

Nossa... Não sabe como fiquei feliz em conhecer alguém que também sente indignação com certas coisas...

Beijos daqui.