domingo, janeiro 02, 2011

Sobre seres inferiores



A inveja, conforme Sebastián de Covarrubias, gravura século 16


Inveja é um sentimento de aversão ao que o outro tem e a própria pessoa não tem. Este sentimento gera o desejo de ter exatamente o que a outra pessoa tem (pode ser tanto coisas materias como qualidades inerentes ao ser)e de tirar essa mesma coisa da pessoa, fazendo com que ela fique sem. É um sentimento gerado pelo egocentrismo e pela soberba de querer ser maior e melhor que todos, não podendo suportar que outrem seja melhor.

A origem latina da palavra inveja é "invidere" que significa "não ver". Com o tempo essa definição foi perdendo o sentido e começado a ser usado ao lado da palavra cobiça, que culminou, então, no sentido que temos hoje.

Os indivíduos disputam poder, riquezas e status, aqueles que possuem tais atributos sofrem do sentimento da inveja alheia dos que não possuem, que almejariam ter tais atributos. Isso em psicologia é denominado formação reativa: que é um mecanismo de defesa dos mais "fracos" contra os mais "fortes".

A inveja é originária desde tempos antigos, escritos em textos, que foi acentuado no capitalismo e no darwinismo social, na auto-preservação e auto-afirmação, a inveja seria, popularmente falando, a arma dos "incompetentes".

Numa outra perspectiva, a inveja também pode ser definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual.

Inveja é a última palavra de Os Lusíadas de Camões:


"Ou fazendo que, mais que a de Medusa,
A vista vossa tema o monte Atlante,
Ou rompendo nos campos de Ampelusa
Os muros de Marrocos e Trudante,
A minha já estimada e leda Musa
Fico que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiles ter enveja."


É comumente associada à cor verde, como na expressão "verde de inveja". A frase "monstro de olhos esverdeados" (green-eyed monster, em inglês) se refere a um indivíduo que é motivado pela inveja. A expressão é retirada de uma frase de Otelo de Shakespeare.

A inveja é um dos pecados capitais no cristianismo.

A inveja também é um personagem do anime/mangá Fullmetal Alchemist, que possui cabelos verdes/negros, e o poder de transformar-se em qualquer objeto.

Napoleão Bonaparte costumava afirmar que "a inveja é um atestado de inferioridade".

**texto da Wikipedia

quinta-feira, dezembro 30, 2010

ano novo



Detesto quem fica falando mal do ano que passou. Como se o ano fosse inteirinho feito de coisas ruins. Não que seja inteirinho feitos de coisas boas, também. Porque não é. Mas, poxa, somos todos assim, né? Pedacinhos bons, pedacinhos ruins, pedacinhos mais ou menos, e vamos que vamos. 2010 foi um ano legal pra mim, porque trouxe coisas boas. Trouxe pessoas boas também, algumas vieram de volta, outras chegaram agora, e já me são muito especiais, e agradeço por elas de coração.
Relacionamentos são o que a gente leva desse mundo. Esses pequenos traços que nos ligam a outras pessoas especiais, é isso que fica, é isso que sobrevive, é isso que dá significado. Ano que vem é só mais um dia depois desse, mas tá valendo, a vibe de recomeço é sempre importante. Sem mágicas, mas com novo fôlego. Obrigada pra quem ainda tem paciência de aparecer por aqui e seguir meus devaneios. Que o novo ano renove esperanças e traga mais alegrias do que tristezas. Feliz 2011!

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Música de separação

Day Eleven: Love
(Ayreon)

[Me]
Friday night, I had a few
There she was, out of the blue
Thunderstruck, nailed to the floor
I couldn`t move, couldn`t talk...anymore

[Love]
Of all these guys it`s you she desires
Secretly her heart is on fire
Waiting for you to ask her to dance
Go ahead, make your move...now`s your chance

[Passion] Do it right, do it right, we ain`t got all night
Do it now, do it now, I think you know how

[Pride] Let it out, let it out, now don`t mess about
Let her in, let her in, let the party begin!

[Me] There I was, nervous and shy
Struck with awe as I caught her eye
I mustered up courage and walked her way
Figuring out what to do...what to say

[Love] Her heart sings as she sees you come near
The music fades, the crowd disappears
She weeps in silence as you pass her by
And she`s wondering why...oh why

[Passion] Do it right, do it right, we ain`t got all night
Do it now, do it now, I think you know how

[Pride] Let it out, let it out, now don`t mess about
Let her in, let her in, let the party begin!

[Agony] Remember your father, well you`re just like him
Nothing but violence and fury within
Remember your mother, so lonely and sad
This will be her fate if you treat her as bad

[Fear] You`re afraid she might turn you down
All your hopes dashed to the ground
Nobody loved you, nobody will
Why should you even try...but still...

[Me] Friday night, I had a few
[Wife] There was no need to talk
[Me] There she was, out of the blue
[Wife] We just started to walk
[Me] Hand in hand, we took the floor
[Wife] And we danced, and we danced, and we danced
[Me] I could move, I could talk...even more...

[Passion] Do it right, do it right, we ain`t got all night
Do it now, do it now, I think you know how

[Pride] Let it out, let it out, now don`t mess about
Let her in, let her in, let the party begin!

[Agony] Remember your father, well you`re just like him
Nothing but violence and fury within
Remember your mother, so lonely and sad
This will be her fate if you treat her as bad

sexta-feira, dezembro 03, 2010

The End

Porque esse texto também faz parte da série de separações.



Joker quase fingiu que se assustou quando a porta da sala bateu forte derrubando no chão o calendário de 2004 pendurado do lado de dentro, mas achou que não valeria a pena dar esse gostinho para ela. Não tirou, portanto, os olhos do notebook e permaneceu na mesma posição que estava, as mãos no teclado, as pernas bem abertas, a cabeça levemente virada de lado, o pé esquerdo balançando impaciente, como sempre.

Melissa também não se espantou quando, ao entrar, deixando a porta bater de propósito, o encontrou novamente virado de costas para o computador com a mesma roupa da última vez. Já fazia o que, uns dois anos que eles não se viam? Sim, ela calculava mais ou menos isso. Aquela bermuda jeans desfiada nas barras talvez já pudesse parar em pé sozinha, de tão dura e encardida. A pulseira hippie feita pelo Zee com sementes variadas ainda não havia arrebentado, impressionante. Já era praticamente impossível ler a frase estampada nas costas da camiseta laranja desbotada, mas ela sabia o que era: "Viddy well, little brother." O tênis, originalmente azul claro, parecia preto. O chapéu côco com parte da aba etrategicamente virada não era exatamente um bom sinal.

Pra que olhar, se ele poderia sentir a presença dela há quilômetros de distância? Seus sentidos aguçados a detectariam para sempre. Aquele perfume ridiculamente comum, fresco e amadeirado, reagia de um modo completamente especial em contato com a pele dela, e essa fragrância meio exótica tinha o poder de fazê-lo relembrar de sons, gostos, texturas, cores e histórias. Ele gostava daquele gatilho que o cheiro dela provocava nele e, portanto, já havia decidido que não faria nada para mudá-lo. Afora os sentidos aguçados, havia uma conexão ainda mais forte e impossível de se conter. Como deter a mão de Malkav? Era incontrolável, a trama seguia sozinha, e eles sempre estariam nela, conectados.

Foi por conta da trama que ela havia vindo. Foi praticamente direcionada, mas ela não sabia muito bem se por ele ou por completo acaso. As vozes nunca foram tão claras com ela quanto eram com ele, mas estavam mais fortes e objetivas. Sentia falta do que ele representava. Uma proteção diferente, como uma barra de ferro meio bamba no carrinho da montanha russa. Aquela segurança que você nunca tem certeza mesmo se vai adiantar de algo, mas que é onde você se agarra quando a descida vai se aproximando. Ela gostava do jeito descontraído dele, das risadas sempre garantidas, daquela empolgação quase infantil diante das novidades. Ele era diferente dos outros vampiros, porque a idade simplesmente parecia não pesar sobre suas costas.

- Foram como ecos distantes ou estavam mais nítidas dessa vez? - ele perguntou de repente
Ela engoliu em seco antes de murmurar:
- Altas e claras.
- Que bom. Legal. Fico feliz por você...
- Eu vim porque...

Ele arrastou a cadeira de rodinhas para trás, virou-se e se colocou de pé tão rápido que ela deu um pulo na direção da parede, arregalando os olhos. Ele riu alto.
- Como sempre, assustada... Será que nunca vai mudar?


- Sempre tive dificuldade de reagir às suas surpresas
- Achei que gostava delas
- Eu gosto.

A expressão dele relaxou um pouco. Olhou para aquela menina de roupas indianas, pele muito clara, sandálias rasteiras. Os cabelos vermelhos e curtos pareciam brilhar de tão intensos. Ele se aproximou com o olhar terno e fingiu tocar nela, apesar de manter as mãos à distância. Fez um "carinho" nos cabelos, sem tocá-la, passou as costas da mão pelo seu rosto, sem sequer encostar em sua pele. Era como uma mímica, um teatro. Ela fechou os olhos por alguns instantes quando recebeu um tapa violento, que a jogou no chão do quarto.

- NÃO ABRA A GUARDA, MELISSA!! NÃO SEJA IDIOTA!! - ele gritou, fazendo as prateleiras da estante tremerem.

Lágrimas de sangue escorreram pelo rosto límpido da garota. Ela sabia, ela sabia. A dor era mais forte por dentro do que por fora.

- Foi isso que eu senti morrer, não foi?
Ele voltou a se sentar diante do computador, não sem antes estalar os dedos das mãos e o pescoço, como ele costumava fazer quando estava nervoso. A perna dele passou a se movimentar ainda mais impaciente, e o olhar vagava pela tela enquanto os dedos comandavam o teclado arrastando para baixo imagens e textos que ela não conseguia identificar bem. Falou ainda em tom alterado, e sem olhar para ela:

- O amor foi morrendo um pouco por dia, junto com toda a esperança que eu trazia.
- Eu não tive culpa, Joker...
- Ninguém nunca tem, meu bem - e dessa vez sua frase foi verdadeiramente carinhosa - ninguém nunca tem...

Ela se levantou devagar, limpou o rosto com as duas mãos e andou até o lado dele, dizendo em seguida, tentando dar firmeza à voz:

- Eu vim porque preciso que você me deixe ir...
- Não muda nada eu deixar enquanto você mesma não quiser...
- Mas eu quero!
Ele olhou para ela com seriedade:
- Então, se é mesmo assim, eu deixo.

Se encararam por alguns segundos, Melissa sem saber o que dizer. Ele resolveu falar antes:

- Não achou que ia ser tão fácil?
- E quem disse que foi fácil?

Ele estava satisfeito. Tirou o chapéu e colocou suavemente na cabeça dela. Ela aceitou o gesto, como uma verdadeira pupila deve fazer.

- Não pense que é um presente. É mais uma sina do que um agrado.
- Eu conheço bem o efeito.
- Ao mesmo tempo, ele é a força que te faltava. A gana mesmo. Mas tem consequências. Todas aquelas que você já sabe.

Ela balançou a cabeça, concordando. Já era hora de ir. Ela ainda lamentou:
- Não tenho nada pra te deixar.
Ele riu.
- Já está tudo comigo, não se preocupe.

O riso se transformou num sorriso meio forçado, sem mostrar os dentes, uma expressão que ele tinha o costume de fazer quando queria dizer que estava tudo bem, mas na verdade não estava. Fez isso e voltou ao computador. Ela olhou para ele pela última vez, embargada. Nao era fácil, mas era preciso. Saiu então da casa com seu chapéu côco, pronta para, talvez, nunca mais voltar.

"...Quando eu me sinto um
pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma
de toda mágoa
Depois eu parto pra outra
Como um mutante
No fundo sempre sozinha
Seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica!..."

(Mutante - Rita Lee)

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Street of Dreams



"All the love in the world couldn't save you

All the innocence inside

You know I tried so hard to make you

To make you change your mind

And it hurts too much to see you

And how you left yourself behind

You know I wouldn't want to be you

Now there's a hell

I can't describe

So now I wander through my days

Trying to find my way

Still these feelings that I felt

I saved for you and no one else
And though as long as this road seems

I know its called the street of dreams

But that's not stardust on my feet

It leaves a taste that's bittersweet

That's called the blues

I don't know just what I should do

Everywhere I go I see you
Although its what you planned, this much is true, oh oh

What I thought was beautiful don't live inside of you, anymore...

I don't know just what I should do

Everywhere I go I see you
You know it's what we planned, this much is true, oh oh

What I thought was beautiful don't live inside of you, anymore...

What this means to me

is more than I know you believe


What I thought was you now

Has cost more that it should for me
What I thought was true before

Were lies I couldn't see

What I thought was beautiful

Was only memories..."


(Guns n´roses - Street of Dreams)

quarta-feira, novembro 24, 2010

Dossiê dos Homens - parte 1

Atendendo a pedidos, segue a primeira parte do "Dossiê Fraude dos Homens com os quais as Mulheres não querem ter Intimidade Nenhuma", um trabalho em resposta ao "Dossiê Fraude sobe as mulheres das quais devemos manter distância", que me foi enviado ontem por um amigo querido, André Diniz.
Publicarei uma parte por dia pois nós mulheres sabemos que os rapazes não conseguem lidar com quantidades muito grandes de informação. :))
Recebam com o mesmo bom humor e alegria com o qual recebemos o Dossiê relativo às mulheres.
Agradeço desde já a colaboração inestimável de Luciana, Tatiane e Cristina, que tanto engrandeceram o resultado final deste trabalho. :))
beijinhos,
Kathy


ABELHUDO

Principais problemas: Ele quer saber de tudo: o que você está fazendo, onde você está e, principalmente, com QUEM está. Fuça nas suas coisas, tenta descobrir as suas senhas, faz perguntas indiscretas, cerca, sufoca, enfim, CANSA. Cansa só de ler, né?
Benefícios: Não dá pra negar, ele te conhece bem e é interessado, mas é tudo ilusão, amiga, ele vai usar tudo que sabe contra você mesma. Mantenha distância.




ADVOGADO

Principais problemas: Pra que se envolver com alguém que sempre acha que tem toda razão, e ainda consegue provar por A + B que ele está certo, vibrando com sua “vitória”? Preguiça, né? É, eu também tenho.
Benefícios: sabe o preço dos honorários de um bom advogado? Guarde o telefone dele.



BURRO

Principais problemas: Precisa explicar? Se precisar, talvez seja um exemplar típico da categoria.
Benefícios: Tente manter a boca dele ocupada pra que ele fale o mínimo possível.



BAIXISTA/BATERISTA

Principais problemas: Músicos em geral são um ímã para groupies, mas fortes indícios demonstram que essas duas categorias estão entre as mais problemáticas. As tietes, desesperadas por atenção, vestindo suas saias curtíssimas, e com muito delineador no olho não pouparão esforços. Por isso, poupe-se você.
Benefícios: Não há. Eles são extremamente charmosos, há risco concreto de se apaixonar perdidamente e talvez de virar groupie. Passe longe.



COMPROMETIDO

Principais problemas: Tá, eu sei, existem situações incontroláveis no mundo, mas essa é a roubada master. Vinte por cento de chances dele ter se apaixonado por você, trinta por cento de chances dele estar entediado no relacionamento e morra de medo de terminar com a oficial e cinqüenta por cento de chances dele estar entediado no relacionamento e nunca nem pense em terminar com a oficial. Matematicamente, oitenta por cento de chance de você estar fazendo papel de idiota. Estatística é um saco, né?
Benefícios: Você é a novidade, portanto, ele vai se dedicar. Muito. Se conseguir aproveitar sem se envolver e sem se culpar pode ser divertido.

CONCURSEIRO
Principais problemas: Ele não perde UM edital, mas o encontro que vocês tinham marcado ele esqueceu, né? Não se iluda pensando que vai melhorar quando ele finalmente passar. (vide tópico “servidor público”). Se não passar em nada, então, vixe... (vide desempregado).
Benefícios: Er... emprestar as apostilas? Não, não, esquece, não tem!

DEBOCHADO
Principais problemas: Ele se acha tããão engraçado, né? Pena que essa seja uma opinião exclusiva dele mesmo.
Benefícios: Uma em cada dez piadas pode ser engraçada. O problema são as outras nove.



DESEMPREGADO

Principais problemas: ok, ok, pode ser uma situação transitória, por isso damos a esse moçoilo um prazo de dois meses. Ta mais que bom. Passou disso, periga ficar acomodado, periga deprimir, periga largar tudo e virar hippie, periga você ter que sustentar ele. Redistribua senhas e mande a fila andar. Rápido!Benefícios: Uma coisa temos que admitir: ele tem bastante tempo livre. Resta saber aproveitar.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Prosa da separação - parte 5

Quatro anos e meio de relacionamento terminados num banco do playground do prédio. Como se fossem quatro meses. Eu me lembro do quanto olhei pro chão e não para os olhos dele. Me lembro nitidamente dos desenhos das lajotas no chão, mas não da expressão dele. A conversa mais amigável do universo, uma compreensão mútua de que aquilo era mesmo o melhor a ser feito. O melhor pra nós dois. Um beijo de despedida. Há coisa mais racional que um beijo de despedida? Mais uma vez, chorei porque achei que caía bem. Me sinto uma psicopata falando isso, mas não senti nada. Nada. Vazio. Talvez tenha feito o que ele não tinha coragem de fazer. Talvez tenha pego ele tão de surpresa que ele não reagiu. Não sei explicar, não tenho muito a dizer. Nos vimos de novo quando minha mãe morreu. Ficou ainda mais nítido naquele momento o quanto éramos irmãos e não mais namorados. Porque parece que ele sentiu aquela perda na mesma intensidade que eu senti. Foi muito importante tê-lo do meu lado naquele momento. Foi a última vez que nos vimos, também. A última lembrança é do final do enterro, dele abaixado junto ao túmulo da minha mãe, chorando copiosamente. Foi o último a sair de lá. Voltei para ampará-lo, largando a família meio perplexa à minha volta, incluindo o namorado da época. Foi uma perda conjunta, definitivamente. Um rompimento em dois atos.

Prosa da separação - parte 4

Que eu podia mais fazer? Você sabia que eu estava infeliz. Eu tenho certeza absoluta que você sabia. Mas você estava enfiado com tanta dedicação no seu próprio mundo que esqueceu de olhar para os lados. Esqueceu de dar valor para quem estava mais perto. Simplesmente foi me deixando cada vez mais de lado. Eram dias sumido. Horas e horas depressivas trancados no quarto escuro. Era aquele quarto escuro que tirava sua atenção de mim. E você simplesmente não aceitava minha mão estendida pra você. Chamando pra olhar o mundo lá fora. Nem que fosse pela janela. Cansei de ouvir nãos. A cena que me marca é de você chorando. Chorando muito, muito. Ainda trago aquela cena comigo. Quem diabos escolhe terminar um namoro de dois anos na praça de alimentação de um shopping? Quem teve essa idéia idiota? Você simplesmente dirigiu até lá sem dizer sequer uma palavra, fato inédito pra você, que falava para espantar o silêncio. Sua dor profunda naquele momento me tocou. Pena que foi tarde demais. Depois de tanta dor veio a raiva. Uma raiva ferina, que fazia ranger dentes, que te fazia rosnar. Nunca havia sido alvo de tanto ódio. Hoje, vários anos depois, entendo que você demonstrava seu amor das formas mais diferentes possíveis. Eu não entendia, ninguém nunca havia me ensinado sobre isso. Foi você quem me ensinou, e te devo essa pra sempre. Desculpa não ter aprendido a tempo, mas foi melhor assim. Pra nós dois.

Prosa da separação - parte 3

O segundo doeu mais, e ele nem era namorado. Dele eu gostava um pouquinho, e pela primeira vez a rejeição foi verdadeira mesmo. Rejeições platônicas aceitam interpretações variadas. Rejeições reais sangram, dóem. Não é assim a melhor das sensações, definitivamente. Legal é ver que quinze anos depois o cara ainda me procura. Sempre do mesmo jeito, como quem não quer nada, sondando terreno. E de tempos em tempos eu tenho a chance de me vingar. De novo, e de novo. Vingança sendo devorada fria e em pequenas porções. Indescritível.

Prosa da separação - parte 2

O primeiro entre todos os namorados terminou comigo num sumiço mesmo. Ele se foi, desapareceu, nunca mais ligou. Quer dizer, até ligou, mas já estava longe. Em outra cidade, outra vida. E tipo, tudo bem. De verdade que tudo bem. Foi mais alívio do que tristeza. Carimbei o passaporte, já podia dizer que estava por dentro do clubinho. Tinha dezesseis e hoje, só hoje, entendo o quanto eu era nova. E olha que eu me achava uma velha. Fingi chorar. Caía bem. Mas de verdade, nem doeu.

Prosa da separação - parte 1

A única coisa que eu lembro é que eu fui te buscar bêbada no metrô. Tá, você não entendeu. Eu me lembro de muitas outras coisas, mas do fim, de quando acabou mesmo, eu só lembro disso. Juntei toda minha dignidade que se espalhava em pedacinhos pelo chão da cidade e fui até você. Porque parecia que eu te devia isso. Te devia essa satisfação, essa atenção, ou seja lá o que possa ter significado meu nobre gesto. Eu andava com raiva já, nesse ponto. É, raiva. Raiva não é um sentimento legal pra gente cultivar por alguém com quem passou tanto tempo junto. Mas eu tinha. Uma raiva de quem está apertada numa caixa, sem respirar, e de repente encontra a pessoa que te prendeu lá. Não, não me entenda assim tão literalmente. Estou resgatando sensações, e são elas as que surgem quando penso naquele começo de manhã em São Paulo, eu caminhando pela Frei Caneca com todo o peso da culpa nas minhas costas. Caminhando até você. Bêbada, com uma informação fixa na cabeça: "preciso chegar até o metrô, preciso chegar até o metrô". Você fez piada, como sempre, e eu que já andava brava me irritei ainda mais. Você nunca entendeu bem minhas reações negativas ao seu eterno bom humor, eu sei. E foi isso. Não sei dizer mais nada sobre nós. Lembranças doloridas são deletadas por um filtro especial da minha mente. Não sei se é bom ou ruim ter o tal filtro, mas já aprendi que é difícil resgatar sozinha qualquer informação lá de dentro. Dói. Daí vira e mexe acabo mesmo desistindo de procurar demais. Então fico com essa cena. Meu rímel borrado, e você rindo, rindo. Fade out.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Got to get you into my life


Eu não vou ver o show.

Achei caro demais, embora tenha batido um arrependimentozinho de leve.

Mas queria muito ouvir essa. (Viu, Paul!?)
Pra eu dedicar pro amore... Toca, vai? :)

"...I was alone, I took a ride,
I didn’t know what I would find there.
Another road where maybe I
Could see another kind of mind there.
Ooh then I suddenly see you,
Ooh did I tell you I need you
Ev’ry single day of my life?
You didn’t run, you didn’t lie,
You knew I wanted just to hold you,
And had you gone, you knew in time
We’d meet again for I had to hold you.
Ooh you were meant to be near me,
Ooh and I want you to hear me,
Say we’ll be together ev’ry day.
Got to get you into my life.
What can I do, what can I be?
When I’m with you I want to stay there.
If I’m true I’ll never leave,
And if I do I know the way there.
Ooh then I suddenly see you,
Ooh did I tell you I need you
Ev’ry single day of my life?
Got to get you into my life.
Got to get you into my life.
I was alone, I took a ride,
I didn’t know what I would find there.
Another road where maybe I
Could see another kind of mind there.
Ooh then I suddenly see you,
Ooh did I tell you I need you
Ev’ry single day of life?
What are you doing to my life?..."

(Got to get you into my life - Lennon / McCartney)

terça-feira, novembro 16, 2010

Se você telefonasse




"...Olha, estou escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa.

Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir.

Eu não achei que ia conseguir dizer, quero dizer, dizer tudo aquilo que escondo desde a primeira vez que vi você, não me lembro quando, não me lembro onde.

Hoje havia calma, entende?

Eu acho que as coisas que ficam fora da gente, essas coisas como o tempo e o lugar, essas coisas influem muito no que a gente vai dizer, entende?

Pois por fora, hoje, havia chuva e um pouco de frio: essa chuva e esse frio parecem que empurram a gente mais pra dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas.

Hoje eu estava assim: mais lento, mais verdadeiro, mais bonito até.

Hoje eu diria qualquer coisa se você telefonasse."

(Caio Fernando Abreu)

Pena que você não telefonou. Né?

segunda-feira, novembro 15, 2010

Dream of you


"I don't know why but I do
Dream of you.
Losing you
I dream of you.
I don't know why but I do
Think of you.
Though we're through
I think of you.

Is it the same way for you?
Doesn't hi and goodbye sound so cruel?
How can I take my heart from you?
Even even though I'm losing you,
I still dream of you.
I dream of you.

I don't know why but you still
Give me chills.
Through your faults and pills
You still give me chills.
Is it the same way for you?
Doesn't hi and goodbye sound so cruel?
How can I take my heart from you?
When even though I'm losing you
I still dream of you.
I dream of you.

Placebo Effect



A gente é tão parecido que acaba incomodando um ao outro. Ao mesmo tempo somos tão diferentes que discordar passa a ser até divertido.

É lindo, né?

Também acho.

A música só vai fazer efeito pra você e pra mim, não é a coisa mais legal do mundo?

Te odeio. E te amo, mais ainda. S2

"...You dip your hands into my flesh
And say you won't reveal a scar
I must have faith in this procedure
It's a miracle-It's a wonder
A thousand hidden needles
In a thousand covered nerves
Stick pins in my receptacles
Look to your Voodoo doll-your mojo
Staying alive at five
For you to cure my ailments
Another soul is saved
With your bogus medications
What colour shall we have today?
Depends on how you feel I say
Consult your research on the media
See blue will calm my hysteria
Staying alive at five
For you to cure my ailments
Another soul is saved
With your bogus medications
Staying alive at five
With your empty containers
Another corpse ornaments your waiting room
Will you ever regret-the placebo effect
Can you ever forget-the placebo effect..."

(Siouxie and the Banshees - Placebo Effect)

sábado, novembro 13, 2010

Martelando



Ontem eu tive mais uma daquelas minhas enxaquecas épicas. Foi um dia muito cansativo fazendo compras pra festa de confraternização de fim de ano no trabalho. Eu e minha companheira de trabalho comemos mal pra caramba, andamos muito, carregamos peso, enfim, foi exaustivo. Sabemos que o resultado será muito legal, porque as compras foram ótimas, mas minha cabeça estava explodindo, estourando. Foi um fim de dia bem ruim, mesmo. Foi uma dor tão forte que minha cabeça está latejando até agora, sem dor, mas ainda latejando. Terrível.

"...If I had a hammer
I'd hammer in the morning
I'd hammer in the evening
All over this land
I'd hammer out danger
I'd hammer out a warning
I'd hammer out love between
My brothers and my sisters ah-aaah
All over this land

If I had a bell
I'd ring it in the morning
I'd ring it in the evening
All over this land
I'd ring out danger
I'd ring out a warning
I'd ring out love between
My brothers and my sisters ah-aaah
All over this land.

If I had a song
I'd sing it in the morning
I'd sing it in the evening
All over this land
I'd sing out danger
I'd sing out a warning
I'd sing out love between
My brothers and my sisters ah-aaah
All over this land.

I got a hammer
And I got a bell
I got a song to sing
All over this land
It's the hammer of justice
It's the bell of freedom
It's the song about love between
My brothers and my sisters
All over this land
All over this land
All over this land
All over this land
All over this land..."

(If I had a hammer - Peter, Paul and Mary version)

Algo que vale a pena



"Já mudei tudo de lugar
Inventei muitas frases pra dizer
Mas mesmo assim
Eu ainda estou só

Já comprei todos os long plays
Dos artistas que você sempre gostou
Mas mesmo assim
Eu ainda estou só

E eu não vou nem ligar se você me disser
Que não vai mais voltar
E eu não vou nem ligar se você me julgar
Mais um cara vulgar
No fundo deste poço achei algo que vale a pena

Já roubei muitos corações com as canções mais nervosas
Que o mundo há de ouvir
Mas agora estou só

E não pense que é tão ruim
Sendo só, os meus discos posso ouvir e ser feliz
Bem longe de ti..."

(Pública - Long Plays)

quarta-feira, novembro 10, 2010

Ooh, it makes me wonder




"...There's a lady who's sure all that glitters is gold
And she's buying a stairway to heaven
When she gets there she knows, if the stores are all closed
With a word she can get what she came for
Ooh, ooh, and she's buying a stairway to heaven

There's a sign on the wall but she wants to be sure
'Cause you know sometimes words have two meanings
In a tree by the brook, there's a songbird who sings
Sometimes all of our thoughts are misgiven
Ooh, it makes me wonder
Ooh, it makes me wonder

There's a feeling I get when I look to the west
And my spirit is crying for leaving
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees
And the voices of those who stand looking
Ooh, it makes me wonder
Ooh, it really makes me wonder

And it's whispered that soon if we all call the tune
Then the piper will lead us to reason
And a new day will dawn for those who stand long
And the forest will echo with laughter

If there's a bustle in your hedgerow, don't be alarmed now,
It's just a spring clean for the May Queen
Yes, there are two paths you can go by, but in the long run
There's still time to change the road you're on
And it makes me wonder

Your head is humming and it won't go, in case you don't know
The piper's calling you to join him
Dear lady, can you hear the wind blow, and did you know
Your stairway lies on the whispering wind

And as we wind on down the road
Our shadows taller than our soul
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold
And if you listen very hard
The tune will come to you at last
When all are one and one is all
To be a rock and not to roll

And she's buying the stairway to heaven..."


(Led Zeppelin - Stairway to Heaven)

A musica que pra sempre vai me ajudar a lembrar de quando os seus olhos sorriram mais do que nunca pra mim. :)
Tão, tão, tão, tão feliz que até dói.... :)

terça-feira, novembro 09, 2010

pra sorrir

"Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo"

Que bom que eu tenho você comigo. Que bom, que bom, que bom. Senão nada mais faria sentido. De verdade. Que bom que você está sempre aí, meu amor. Eu estarei sempre aqui pra você também. Sempre, sempre.

Muito, muito amor.

R.S.V.P.



"So much confusion
when autumn comes around
What to do about October?
How to smile behind a frown?


It's hard to settle down
It's so bemusing

Will they cancel the parade?
We marched each October
Now they say we were never even saved

We must be very brave

Shall I rewrite or revise
my October symphony?

Or as an indication
change the dedication
from revolution to revelation?

So we're all drinking
as leaves fall to the ground
because we've been thinking
how October's let us down
then and now

Shall we remember
December instead?
Or worry about February?
Mourn our war-torn dead
never seeing red?

Shall I rewrite or revise
my October symphony?
Or as an indication
change the dedication
from revolution to revelation?"


(My October Symphony - Pet Shop Boys)



Será que eu preciso reescrever algo? Revisar? Mudar a dedicatória? Muita, muita confusão. Será que eu preciso me lembrar de dezembro? Me preocupar com fevereiro? Muita, muita confusão... Como sorrir? O que fazer? Como se acalmar? Tudo tão, tão confuso...

domingo, novembro 07, 2010

Valsa de Celine



***********spoiler héim?

Porque tanto ele quanto ela transformaram seu amor em arte. Porque nenhum dos dois imaginava o quanto era importante um pro outro. Porque é lindo se declarar, seja da forma que for. Essa música tá sempre nos meus mp3 e celulares. Sempre, sempre. Acho que nunca tinha colocado aqui no blog. Tá mais do que na hora.

sábado, novembro 06, 2010

Antes do Amanhecer



"There's a wind that blows in from the north.
And it says that loving takes its course.
Come here. Come here.
No I'm not impossible to touch I have never wanted you so much.
Come here. Come here.
Have I never laid down by your side.
Baby, let's forget about this try.
Come here. Come here.
Well I'm in no hurry. you don't have to run away this time.
I know that you're timid.
But it's gonna be all right this time."
(Kath Bloom - Come Here)

Um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, uma das cenas mais lindas de todos os tempos. "Mas não acontece nada", já ouvi dizerem. É. Não acontece nada. :)

quinta-feira, novembro 04, 2010

Tchau!



"Um pingo de chuva estourou na pedra de gelo do meu whisky
Lembrei de ti
Que sempre quer botar pingo de "i" em ipsilone
Que é que há?
Parece até que sou um livro mal escrito
E que você é uma caneta cor vrmelha
Rasurando o que não aceita e nem consegue decifrar
Outras vezes você tenta, feito louca, rasgar as minhas páginas
Mal eu esqueço do que lembrei
Você aparece
"Olá"
"Olá coisa nenhuma" é o que me diz
Roubando meu whisky pra falar
Que eu te beijo como Judas beijou Cristo
Pois leva o tempo a imaginar como seria
Com quem e quando eu trairia o que jamais jurei te dar
Põe em minha boca palavras que não são minhas
Com voz trêmula e trágica
E me ameça quando diz "eu vou embora"
Ora... Vá!
Você tem seu direito de ir e vir
Mas eu tenho o meu de querer ficar
Não precisa de um pedido de Habeas Corpus
A porta está aberta
Você tem seu direito de ir e vir
Mas eu tamnbém tenho o meu direito de querer ficar
Não precisa de um pedido de Habeas Corpus
A porta está aberta...
Tchau!"

(Habeas Corpus - Maurício Baia)

quarta-feira, novembro 03, 2010

Cérebro


Eu amo histórias de zumbi. Ontem teve zumbi walk aqui em São Paulo, mas não fiquei afim de participar. Porque meu lance é atirar na cabeça deles mesmo. Sou metamorfose ambulante, mas em certos temas não é possível mudar de lado. :) Ontem também rolou a estréia de The Walking Dead. Curti o começo da série. Adoro o Andrew Lincoln (Love Actually), que está fazendo o papel principal, embora o personagem seja uma lástima por enquanto. Por que diabos o cara se veste de policial em um mundo infestado de zumbis? Por que diabos ele resolve andar a cavalo? Por que diabos ele tem compaixão? rs... Detesto amadores. :) Pra variar, morrendo de vontade de um bom rpgzinho de zumbi. Alguém se anima? Alguém?

sábado, outubro 23, 2010

segunda-feira, outubro 18, 2010

Ghost


"Lock all the windows
I know it sounds simple
You never know who's listening

Turn off the TV
I know it sounds crazy but
I can feel you coming in

'Cause there's a ghost in this house
When he sings it sounds just like you
When he falls it brings me down too

So I put myself to sleep and
And the birds out on the street
They keep talking about the year
I can hear it

Does it get easier to do?
Does it get
Does it get easier to do?"

(Ghost - Robyn Dell´unto)

Só pra te lembrar que quando você cai, invariavelmente, me derruba também.

domingo, outubro 17, 2010

S2



Kai e Travis - Alien like you

Alien like you


"I know that you don't
Know that I know what you know
We've got secrets between us that
Nobody else would believe if we told them
So let the stars align
And let the water make wine 'cause
Broken souls will become whole tonight, oh tonight
We know it's right so

CHORUS
Lift your eyes and let me in
'Cause baby I'm an alien like you
Would you ever wake at night and realize
The reason why you knew me then
Is maybe I'm an alien too
Would you ever let me be an alien with you"

terça-feira, outubro 12, 2010

Being Aurea




"It's clearer inside of me

Who I will always be
Here
at the corner of my heart

Mystics and cynics and crystals and memories
Beginning to light up the stars
Shining or lighting the night
Raising the veil from my eye
Waking me up to the light in my life

Cause of my strength
Sum of my dreams
And everything I ever wanted to be...

Here I am this is me where
I've been
In the dark (and)
in the night (and)
in the road in the right..

Calm is energy
Give me my destiny
Everything happens for a reason
Every choice that I make
Changes the cause I take
Won't be afraid when I make mistakes
Open my arms and give in
Do it all over again
Do it all over again
Get that again
To get to the end

I'm who I am now.
I'm gonna find the answers
and
Yes I know how I know I can win
Sum of my dream
And everything I ever wanted
And everything I ever wanted to be
Here I am this is me, who am I, wait and see..."

(Lily Frost - All I ever wanted to be)

terça-feira, setembro 28, 2010

Tão diferente



"...Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas e suspiros..."

(Caio Fernando Abreu)


É engraçado porque no fim das contas era exatamente disso o que eu mais precisava. Precisava dessa sua calmaria toda, desse seu jeito que me equilibra. Precisava tanto desses seus contrapontos pra me ajudarem. É tão nítida a diferença. A comparação de antes e depois. Tudo sua culpa. Tudinho. =) Que bom, meu amor, que bom.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Agora



Meu filhote lindo quem fez as fotos *___*

"Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora

Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
E eu peço somente
O que eu puder dar..."

quarta-feira, setembro 22, 2010

Lembrando

Cada um dá o retorno que pode, cada um dá o retorno que consegue. Tenho que fazer minha parte, mexer o meu lado, movimentar as minhas peças. O outro faz da forma dele, que não é necessariamente certa ou errada, só diferente. Preciso me lembrar disso. Pela paz e pela minha sanidade.

domingo, setembro 12, 2010

Álvaro e eu

"Os meus versos são a minha impotência.
O que não consigo, escrevo-o,
e os ritmos diversos
que eu faço aliviam minha covardia."

(Àlvaro de Campos)

Avisado

É estranho como as respostas são sempre as mesmas, mesmo quando as perguntas mudam. É estranho porque começa a parecer automático, e eu não gosto disso. Detesto piloto automático. É isso que você tem a oferecer? Me faz pensar que não há atenção ao que eu preciso, só ao que se precisa. Me faz pensar que coisas que eu já disse milhões de vezes acontecem novamente, e novamente. É meio triste porque nas entrelinhas dessas coisas, tantas outras coisas boas acontecem. E trazem reconhecimento e demonstram afeição. Mas acho que não conseguimos só sobreviver de coisas boas. Parece que há a necessidade de não estarmos sempre cem por cento, aquela máxima ridícula de que não existe felicidade completa. Acredito não. Acho que temos o que buscamos, e recebemos de volta o que oferecemos. Exatamente igual. É universal isso, e não fui eu quem inventou. O chato é que eu sei dos ciclos e sei exatamente onde e porque eles terminam. É terrível às vezes saber. Queria que fosse surpresa, mas não é. Depois não me diga, por favor, que eu não avisei.

Tão eu, tão você

"Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes...
O tempo todo
Estou tentando me defender

Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição"

(Esperando por mim - Legião Urbana)

sexta-feira, agosto 20, 2010

segunda-feira, agosto 02, 2010

Beijo


Tentando achar onde dói... Por que será que dói?
Imagem: The Kiss - Gustav Klimt

quinta-feira, julho 29, 2010

Momento de poesia

"Gastei uma hora
pensando num verso
que a pena não quer escrever.
No entanto, ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Está cá dentro e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda toda a minha vida."

(Carlos Drummond de Andrade)

Tá difícil de escrever alguma coisa. Eu geralmente escrevo muito quando não estou bem, e quando está tudo perfeito eu acabo não encontrando as palavras. Sou uma escritora de fossa, acho, não de dias felizes. :)

Mas tô bem, viu? Ô, se estou! :)

sábado, julho 17, 2010

só, somente só

"Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança. Invento estorinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga. Algumas paranóias, mas nada grave. O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada. Estou todo sensível, as coisas me comovem. Tenho regressões a estados antigos, às vezes, mas reajo, procuro me manter ligado às coisas novas que descobri. Mas tudo fica e se sucede - quase nunca dá tempo de você se orientar, escolher - não gosto de me sentir levado."

Frágil e sozinha, frágil e sozinha, frágil e sozinha... Sozinha, sozinha, sozinha, a coisa que eu mais detesto, a que mais tenho medo, a que mais me entristece. Campo de força. Era essa a palavra que eu queria lembrar... Campo de força... Merda de campo de força... Não é parede... Ela não me afasta só... Ele me destrói... E daí não tem nada mais pra lamentar, só chorar... Chorar, chorar, o que foi e ninguém se importou de deixar ir... Sozinha, sozinha, sozinha....

terça-feira, julho 06, 2010

a moment to deliberate

"...Like anyone would be
I am flattered by your fascination with me

Like any hot-blooded woman
I have simply wanted an object to crave

But you
You're not allowed
You're uninvited
An unfortunate slight

Must be strangely exciting
To watch the stoic squirm

Must be somewhat hard-telling
To watch shepherd meet shepherd

But you
You're not allowed
You're uninvited
An unfortunate slight

Like any unchartered territory
I must seem greatly intriguing
You speak of my love
Like you have experienced love like mine before

But this is not allowed
You're uninvited
An unfortunate slight

I don't think you unworthy
I need a moment to deliberate..."

(Alanis Morissette - Uninvited)

quarta-feira, junho 30, 2010

É o fim? Ou só mais um começo?


As batidas nervosas na porta do trailer quase a fizeram borrar a forte maquiagem azul que ela passava num dos olhos. Faltava pouco para começar o espetáculo, afinal
- Cassandra, querida, sou eu, abra rápido, por favor!
Ela correu sorrindo, o coração aos saltos.
- Nossa, você veio tão ced...
Quando ela abriu a porta foi empurrada pra dentro por Irwin, que fechou os trincos do trailer nervosamente. Estava sério, agitado, respiração ofegante, olhava em volta como quem teme algo muito grave. Certificou-se de que a cortina estava fechada antes de falar qualquer coisa. Cassandra estava nervosa já vendo o rapaz daquela forma. Perguntou então, aflita:
- Céus, que está acontecendo? O que houve, Irw??
- psiuu, minha querida, por favor, fale baixo, eu tenho pouco tempo pra explicar.
Ela baixou o tom de voz
- Então fale de uma vez, estou ficando nervosa!
- Eu preciso ir!
- Ir pra onde?
- Embora, querida. Pra longe daqui, infelizmente.
- Mas por que, o que está acontecendo?
- Infelizmente eu não posso explicar da forma como você merece. Acredite, é melhor pra você não saber nada, absolutamente nada.
- Eu não tô entendendo direito, Irw... Não vá assim, tenho certeza que podemos resolver esse problema, qualquer que seja ele, de alguma outra forma. O que é? Está devendo dinheiro a alguém? A gente pode pensar numa forma de resolver isso, e...
- Não, não, Cassandra... Infelizmente não é nada que se possa resolver com dinheiro. Eu vim porque precisava olhar nos seus olhos e fazer um pedido egoísta. O mais egoísta de todos. Eu já te conheço, já sei qual será a resposta, mas eu precisava pedir. Para poder ir em paz...
- Pois peça, então!
- Venha comigo!! Venha comigo, venha agora comigo...
- Ir pra onde?
- Pro mundo, pra onde for, eu não sei pra onde também. Mas venha, é o que peço...
- Eu não posso sair daqui, Irwin... É impossível
- Não é impossível... Você é uma pessoa incrível, tenho certeza que faria o que faz aqui em qualquer lugar do mundo...
- Não, Irw, meu lugar é aqui, não posso ir. Fique você aqui comigo. Seja o que for, resolveremos juntos...
Ele sorriu, se aproximou dela e acariciou seu rosto suavemente, com ternura.
- Eu nunca vou me esquecer de você, linda Cassandra... Jamais...
- Irwin, espere...
Ele retirou de seu pescoço um pequeno e delicado relicário e colocou em volta do dela.
- Um pedaço de mim para estar sempre com você.
- Obrigada, não precisava se preocupar, mas eu... Escute... Vamos conversar melhor...
Um barulho do lado de fora fez a expressão dele se tornar alerta novamente.
- Me perdoe por chegar assim na sua vida. Mais do que isso, me perdoe por ir embora dessa forma. Infelizmente, nada mais pode ser feito... É hora do adeus...
Os olhos dela se encheram de lágrimas
- Eu fiz alguma coisa errada?
- Não! Não, não... Nunca... Você é perfeita... Digamos que eu foi quem andou fazendo umas coisas erradas, tá bem? Fique em paz, fique bem...
As lágrimas escorreram pelo rosto dela. Ele tirou um lencinho vermelho do bolso e secou as lágrimas. Um perfeito cavalheiro.
- Adeus, Irw...
- Até breve, minha querida...
Ele abriu cuidadosamente a porta do trailer, olhando com atenção para todos os lados.
- Até breve? Quando eu te vejo então?
Ele sorriu, os olhos brilharam
- Nos teus sonhos...

terça-feira, junho 29, 2010

Quer dançar?

- Você não é uma pessoa comum, minha querida...
- Mas é claro que sou, Irw... O que eu tenho de especial, afinal?
Ele sorriu, e afastou com delicadeza os cabelos dela para trás da orelha...
- O seu mundo é o circo, não é?
- Sim, e como haveria de ser diferente?
- Não haveria, e aí está toda a beleza. Você vive num mundo mais belo, mais colorido e mais criativo do que essa realidade banal que vemos por aí afora. Eu diria que, a seu modo, você quase enxerga o mundo como eu.
- Pra mim sempre foi assim, sabe...
- Sei... Eu sei... Você simplesmente não foi corrompida. Você quebrou as regras deles, sabe? Você fez um pouco como eu, só que ao contrário. Hmmm... Explico: Enquanto você resolveu ficar, eu resolvi sair, vagar pelo mundo afora, buscando minhas próprias verdade, minhas próprias paixões, sabe? Você pra mim é inspiração pura, é diferente deles todos...
- Deles quem, Irw?
- Dos outros, minha querida. Dos outros...
- Na verdade eu também te acho bem diferente de todos os outros
- Acha, é? - ele sorri, os olhos brilhantes para ela - E é verdade. Eu sou mesmo, sempre fui. Mas a maioria das pessoas encara mal essa diferença. Me vê como um cara estranho, meio perdido, sei lá. Mas já me acostumei a essa estranheza. Faz parte do pacote, se é que você me entende...
- Eu entendo sim... Também sou meio estranha, também faço o que gosto, porque gosto, também vivo do que acredito, da minha paixão, da minha criatividade, do que eu sonho e faço virar realidade do meu jeito...
- Exatamente! Você define perfeitamente, é incrível... É o que eu mais valorizo... Você não é mais uma descrente... É por isso que me sinto tão bem aqui no seu circo, e com você... Parece que aqui eu não preciso me esconder, posso ser quem eu realmente sou.
- Mas pode mesmo, claro que pode.
- Bom, não completamente, mas digamos que é o mais próximo que posso chegar... E veja que eu já estava achando que seria inevitável. Ser soterrado, arrasado pelo frio.... Anda frio demais aí fora, e a tendência, imagine, é só piorar e piorar cada vez mais, e mais. Mas foi quando te encontrei que meu coração se aqueceu novamente de esperanças. Você me trouxe muita coisa sobre mim de volta, Cassandra... Eu estou tão feliz!! Tenho vontade de dançar. Quer dançar comigo? - ele disse, enquando estendia a mão e a convidava
- Mas onde está a música, Irwin? - ela se levantou segurando a mão dele
- Está dentro da sua imaginação... Como sempre...

E dançaram pelo picadeiro vazio, enquanto ela pensava no quanto também se sentia feliz. Talvez pela primeira vez em muitos e muitos anos.

segunda-feira, junho 28, 2010

"Meu convidado"

- Você não precisa pagar ingresso toda vez, Irwin. Já faz mais de um mês que você é meu melhor espectador.
- Eu insisto, minha querida. É como uma orquídea, sabe? O preço que se paga é barato diante de tanta beleza. Além do mais, o circo é seu sustento, não faz sentido que eu assista o espetáculo sem gastar nada. Você mesma me disse isso quando nos conhecemos, lembra? "Gosta de circo? Então paga!" - ele riu imitando os trejeitos faciais dela.
Ela riu de volta.

- Eu sei, eu sei... É verdade, eu disse mesmo isso. Mas quem insiste dessa vez sou eu. Hoje você é meu convidado.
- Está bem, incrivel Cassandra. É uma honra, portanto.

domingo, junho 27, 2010

Das orquídeas

- Cassandrita, quem é ele, cuentame!!? - perguntou a ajudante do mágico naquele portunhol terrível de sempre
- Eu gostaria de saber, de verdade!
- Já es la tercera apresentacion que ele compra lo camarote!
- Eu sei, eu sei... Mas que posso fazer? Ele não se apresentou...
- Bueno, se apresentó por la carta, no es verdad? I-R-Uin, né?
- Irwin, Juanita...
- Que flores, hã? Belisimas
- Diferentes, né? Dizem que são difíceis de se encontrar...

- Devem ser caras!
- Não se iluda, Juanita, deve ser um caprichoso bancado pelo papai rico, com certeza...
- Como se llaman mismo esas flores?

Quem respondeu a pergunta foi uma voz masculina atrás delas:


- Se chamam orquídeas. Não são caras, na verdade. Eu diria que é um preço justo para tanta beleza.


Juanita ficou branca de susto na presença do rapaz. Pediu licença a Cassandra e saiu correndo para seu trailer, dando risadinhas como uma adolescente. Cassandra o encarou com simplicidade.


- Obrigada, são mesmo muito bonitas.


Ele sorriu.


- Foi mais uma forma de se desculpar pelo susto aquele outro dia. E pelos arranhões no braço.


Ela se sentiu envergonhada pelo olhar dele para ela. Baixou os olhos para os braços realmente arranhados.


- Está tudo bem. Isso acontece...
- Bom, gostaria de me apresentar agora mais formalmente... Meu nome é Irwin - disse enquanto tirava o chapéu cordialmente
- É, eu vi no seu bilhete... Meu nome é Cassandra...

- A incrível Cassandra, não é? - ele sorriu, passando os olhos pelo cartaz do circo colado na porta do trailer dela - Bom, gostaria de saber se a incrível Cassandra me daria a honra de passear comigo. Sei lá, tomar um sorvete, está tão quente hoje, não é?

- Er... Eu... Eu não costumo sair muito daqui do circo...

- Quem disse que nós precisamos sair? - ele disse, feliz, apontando o carrinho de sorvetes.

sábado, junho 26, 2010

Aplausos especiais

Foi exatamente quando ela terminou a série de saltos mortais na corda que seus olhares se cruzaram novamente. Era ele, o rapaz da noite anterior. Estava sentado na primeira fila, o lugar mais caro do circo, e a observava com insistência. A arquibancada estava lotada, e quando seu número terminou, ele aplaudiu de pé. Ela agradeceu, graciosa. Não era sempre que a platéia era receptiva daquela forma. Sentiu-se feliz por não ter errado nada, e elogiada pela reverência do rapaz, que a cumprimentou com um meneio de cabeça. Ela sorriu.

sexta-feira, junho 25, 2010

Encontro no Picadeiro

Clap clap clap clap clap clap clap

Os aplausos ecoaram alto por todo o picadeiro vazio. Com o susto, Cassandra caiu da corda bamba onde se equilibrava. Amorteceu a queda numa cambalhota, rolando pelo chão de terra, ágil como uma felina. Logo estava de pé procurando de onde vinham aquelas palmas.

Encontrou num canto um jovem rapaz franzino, cabelos e olhos bem pretos, que a observava sentado em um dos bancos da platéia.

Ele também se assustou com a queda dela, saltou a proteção de madeira que separava a platéia do picadeiro e se aproximou rapidamente.


- Você está bem? Se machucou?

Ela se afastou alguns passos, limpando os braços sujos de terra
- Quem é você? O circo está fechado agora! - ela disse, arredia
- Eu... Eu... Eu sei, desculpe... Simplesmente não pude evitar olhar...
- Vá embora! Saia agora! Não vê que me assustou?
- Me desculpe, não foi minha intenção, eu...


Sem saber o que dizer, ele virou de costas e caminhou alguns passos. Antes de sair pareceu criar coragem e se virou mais uma vez:

- Você é uma excelente acrobata. Das melhores que eu já vi. De verdade. E olha que já vi muitas!

- Por favor... Será que eu terei que chamar alguém pra arrancá-lo daqui?
- Eu... Eu estou indo... Desculpe... Descanse um pouco, você está aí há horas...
- Há quanto tempo você está me olhando?
- Eu não sei... Uma hora, duas talvez... Você nunca para?

- Chega, garoto! Se gosta de circo, pague o ingresso!
Ele sorriu
- Eu vou pagar. Pode ter certeza. Adeus, senhorita...


Ela ficou observando pra ter certeza de que ele sairia por um dos cantos do picadeiro.

quinta-feira, junho 24, 2010

O fim e o começo

E foi assim, como num passe de mágica, que a ilusão da menina virou realidade. Aos 16 anos, por mérito e direito, a inigualável Cassandra, como única herdeira, tornou-se a proprietária do Gran Circo Gonzales.

quarta-feira, junho 23, 2010

Coração adúltero

Quando Mademoiselle Gabrielle, a fantástica contorcionista, descobriu que o hábil Carlos andava ensaiando novos números com a adorável Juanita, a ajudante do mágico, e contratou o experiente atirador de facas Jaime, o insuperável, para acidentalmente errar seu alvo e acertar o coração adúltero do dono do circo.

terça-feira, junho 22, 2010

De quando a menina perdeu o juízo

Assim, perdida em suas brincadeiras e delírios, a pobre menina foi perdendo o juízo. Pelo menos era o que dizia seu pai "perdeu lo juízo, la pobrecita". Sua imaginação foi tomada por tudo o que sonhava - magias, truques, brilhos, números incríveis, aplausos do respeitável público, desafios, amores e disparates inacreditáveis. Foi assim que acudiu-lhe a mais estranha idéia , que jamais ocorrera a outra louca nesse mundo. Pareceu-lhe conveniente criar seu próprio mundo, seu próprio circo.* E assim foi, pelo menos e a princípio, somente dentro de sua mente.
* referências a Dom Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes

segunda-feira, junho 21, 2010

A inigualável Cassandra!

Apesar do evidente cansaço dos treinos, enquanto se equilibrava no alto de sua corda, Cassandra transformava seu mundo habitualmente cinza em colorido. Ao se apresentar, imaginava-se bem maquiada e vestida, com os cabelos presos ao alto num coque banana - e, inexplicavelmente, sem as orelhas de abano. A lona velha e remendada transformava-se em um picadeiro luxuoso. O pêlo de Sancho brilhava reluzante, e a platéia geralmente sonolenta e entediada a aplaudia com entusiasmo. Havia música, brilho, luzes, cheiro de pipoca e todos a admiravam. Os cartazes anunciavam o show da "inigualável Cassandra". O circo era seu mundo mágico, e ela adorava cada vez mais o que fazia.

domingo, junho 20, 2010

"Andále, andále"

A altura da corda subia a cada dia, assim com aumentavam também as horas de ensaio de Cassandra, que não encontrava mais tempo para brincadeiras de criança. Um forte " Andale, andale!!" Acompanhado de palmas vigorosas era o que o pai de Cassandra enérgicamente dizia nos poucos momentos em que estava presente, incentivando-a a fazer o trajeto na corda cada vez mais rápido.

sábado, junho 19, 2010

Sancho, o chimpanzé


Enquanto aguardava os intensos ensaios de seu pai com a madrasta, que invariavelmente aconteciam dentro do trailer do dono do circo e a portas fechadas - para que se mantivesse o sigilo dos números - conforme explicava Juan, Cassandra treinava o equilíbrio na corda bamba, incansavelmente. Era sempre observada de perto por Sancho*, seu fiel amigo, um chimpanzé adulto de olhos expressivos que costumava vestir roupas de gente e um chapéu.

sexta-feira, junho 18, 2010

Gabrielle, a contorcionista

Se parecia impossível encontrar substituta para a mulher pássaro artista, para o papel de esposa Carlos não pareceu ter dificuldades na troca. Poucos dias após o fatal incidente, o lugar vago no trailer do pai de Cassandra já era ocupado por Mademoiselle Gabrielle, a fantástica contorcionista, que fazia diariamente demonstrações de suas fenomenais habilidades corpóreas em apresentações exclusivas para o acrobata.

quinta-feira, junho 17, 2010

O destino de Cassandra


Após o inesperado acidente o pai de Cassandra, Carlos Gonzales, um hábil acrobata e não assim tão hábil trambiqueiro, decidiu que finalmente era o momento de sua filha única ser iniciada no estudo das artes do circo. Era necessário, quase urgente, encontrar substituta à altura para a falecida mulher pássaro, já que essa era a principal atração da desfalcada trupe familiar cujos rendimentos conseguiam mensalmente sustentar todo o pequeno circo Gonzales e acalmar a fúria dos dezenas de agiotas para quem Carlos devia.

quarta-feira, junho 16, 2010

A morte da Mulher Pássaro


Num lugar do interior de São Paulo, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia uma menina.* Chamava-se Cassandra Napolina Gonzales. Era franzina, delicada, tinha orelhas de abano, e seus longos cabelos negros desciam até a cintura. Estava prestes a completar 6 anos quando se deu a tragédia: o último vôo fatal de sua mãe, Alana Gonzales, conhecida no mundo circense como "a inacreditável mulher pássaro".

*referência à frase inicial de Dom Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes

quarta-feira, junho 02, 2010

Sonho

"Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade"

(Raul Seixas - Prelúdio)

Às vezes cansa um pouco estar sempre sonhando só.
Só isso.

terça-feira, junho 01, 2010

Difícil foi desaprender

"Me dê tua mão que eu aprendo
difícil foi desaprender
por onde eu andei
foi tão triste
que quase não deu pra te ver

não peça tão já meu sorriso
dê tempo pra eu me entender
e tudo que é teu meu amigo
é meu porque tinha que ser

me abraça, me aperta em teu peito
quem sabe eu consiga esquecer
e o que me matou não é mais meu
e eu vivo pra não mais morrer..."

(Maysa - Não é mais meu)

Naqueles momentos de transição que me atingem vezemquando, direto no peito...
Só sei curar sozinha, tem jeito não...

A música



É, agora eu conheço música de verdade :)

Coisas do coração

Outro dia eu te espiei. Simplesmente não resisti e te espiei. É difícil explicar os motivos que temos pra espiar alguém assim. Uma pontinha de saudade, talvez. Saudade mais de uma época do que de uma pessoa. Saudade de quem eu era com você. Ah, sei lá. O que importa é que te espiei. E, cara,você estava igualzinho! O mesmíssimo sorriso triste. Será que a vida continua sendo assim tão má com você? Será que mesmo depois de tantos anos, de tantas experiências, de tantas pessoas passando pela sua vida, seu sorriso ainda não ganhou um brilho especial e merecido? Triste perceber isso, apesar de ser sempre bom te ver, mesmo que seja uma olhadinha curiosa pelo orkut. E seu profile me fez lembrar de uma cena bem específica. Era um dia muito frio, e nós dois brincávamos de arremessar a bola de basquete na tabela (porque já não havia mais aro pra acertar, inclusive). Ninguém falava nada. Toda vez que a bola batia na tabela fazia um barulho forte que quebrava o silêncio daquele fim de tarde gelado. Era a minha vez de arremessar e, pra fazer graça, você veio pra cima de mim pra me impedir, com as mãos para o alto, o que era ridículo já que você era quase 30 centímetros mais alto do que eu e só de parar na minha frente já tampava completamente a minha visão da tabela. Mesmo assim, você fez questão de usar os braços, que foram se fechando à minha volta, se fechando, e eu ria tentando sair dali, e você ria porque era óbvio que eu não conseguiria. Até que você parou de rir e eu também, e eu fiquei ali imobilizada numa posição desconfortável porque havia uma bola de basquete entre a gente, e você me apertando, não me deixando sair, e então você falou, meio que recitando/cantando pra mim: "Somos a resposta exata do que a gente perguntou/Entregues num abraço que sufoca o próprio amor... Coisas do coração!" E eu morri de vergonha, nunca tinha ouvido aquela música, achei que você estava inventando alguma coisa cafona pra brincar comigo, e te empurrei. E você riu de mim, disse que eu tinha que conhecer música de verdade, e começou a me sacanear muito, até que eu fiquei com raiva e joguei a bola em você e fui embora. Ainda gritou pra mim de longe que eu era uma bobona, que eu não entendia nada nunca, rs... Não entendi mesmo. Mas entendi agora, com uns dezessete anos de atraso, será que serve?
Uma das músicas mais bonitas do Raul, aliás. O cara não costuma falar coisas bonitas assim sempre, não. Diferente de você. Pena que eu quase nunca entendia.

"É porque eu não quero que nada aconteça
Deve ser porque eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar
Ou eu já cansei...
O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora, entra, vai e volta, sem sair
Oh, não, não tente me fazer feliz...
Eu sei que o amor é bom demaisMas dói demais sentir...
Mas dói demais..."

(Pessoa - Marina Lima - Dalto/Claudio Rabelo)