Mostrando postagens com marcador adeus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador adeus. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, julho 13, 2011

Casulo





Não há no mundo sensação mais estranha do que começar a rasgar sua própria pele de dentro pra fora. Aqui dentro está confortavelmente quente e basicamente é por isso que eu tenho tanto medo de sair. O impulso, porém, é incontrolável, quase vital. Não dá pra conter a vontade de mudar. É preciso ir, sem olhar para trás. Mudar para melhor. Pra melhor, pra melhor.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Prosa da separação - parte 5

Quatro anos e meio de relacionamento terminados num banco do playground do prédio. Como se fossem quatro meses. Eu me lembro do quanto olhei pro chão e não para os olhos dele. Me lembro nitidamente dos desenhos das lajotas no chão, mas não da expressão dele. A conversa mais amigável do universo, uma compreensão mútua de que aquilo era mesmo o melhor a ser feito. O melhor pra nós dois. Um beijo de despedida. Há coisa mais racional que um beijo de despedida? Mais uma vez, chorei porque achei que caía bem. Me sinto uma psicopata falando isso, mas não senti nada. Nada. Vazio. Talvez tenha feito o que ele não tinha coragem de fazer. Talvez tenha pego ele tão de surpresa que ele não reagiu. Não sei explicar, não tenho muito a dizer. Nos vimos de novo quando minha mãe morreu. Ficou ainda mais nítido naquele momento o quanto éramos irmãos e não mais namorados. Porque parece que ele sentiu aquela perda na mesma intensidade que eu senti. Foi muito importante tê-lo do meu lado naquele momento. Foi a última vez que nos vimos, também. A última lembrança é do final do enterro, dele abaixado junto ao túmulo da minha mãe, chorando copiosamente. Foi o último a sair de lá. Voltei para ampará-lo, largando a família meio perplexa à minha volta, incluindo o namorado da época. Foi uma perda conjunta, definitivamente. Um rompimento em dois atos.

Prosa da separação - parte 3

O segundo doeu mais, e ele nem era namorado. Dele eu gostava um pouquinho, e pela primeira vez a rejeição foi verdadeira mesmo. Rejeições platônicas aceitam interpretações variadas. Rejeições reais sangram, dóem. Não é assim a melhor das sensações, definitivamente. Legal é ver que quinze anos depois o cara ainda me procura. Sempre do mesmo jeito, como quem não quer nada, sondando terreno. E de tempos em tempos eu tenho a chance de me vingar. De novo, e de novo. Vingança sendo devorada fria e em pequenas porções. Indescritível.

Prosa da separação - parte 2

O primeiro entre todos os namorados terminou comigo num sumiço mesmo. Ele se foi, desapareceu, nunca mais ligou. Quer dizer, até ligou, mas já estava longe. Em outra cidade, outra vida. E tipo, tudo bem. De verdade que tudo bem. Foi mais alívio do que tristeza. Carimbei o passaporte, já podia dizer que estava por dentro do clubinho. Tinha dezesseis e hoje, só hoje, entendo o quanto eu era nova. E olha que eu me achava uma velha. Fingi chorar. Caía bem. Mas de verdade, nem doeu.

Prosa da separação - parte 1

A única coisa que eu lembro é que eu fui te buscar bêbada no metrô. Tá, você não entendeu. Eu me lembro de muitas outras coisas, mas do fim, de quando acabou mesmo, eu só lembro disso. Juntei toda minha dignidade que se espalhava em pedacinhos pelo chão da cidade e fui até você. Porque parecia que eu te devia isso. Te devia essa satisfação, essa atenção, ou seja lá o que possa ter significado meu nobre gesto. Eu andava com raiva já, nesse ponto. É, raiva. Raiva não é um sentimento legal pra gente cultivar por alguém com quem passou tanto tempo junto. Mas eu tinha. Uma raiva de quem está apertada numa caixa, sem respirar, e de repente encontra a pessoa que te prendeu lá. Não, não me entenda assim tão literalmente. Estou resgatando sensações, e são elas as que surgem quando penso naquele começo de manhã em São Paulo, eu caminhando pela Frei Caneca com todo o peso da culpa nas minhas costas. Caminhando até você. Bêbada, com uma informação fixa na cabeça: "preciso chegar até o metrô, preciso chegar até o metrô". Você fez piada, como sempre, e eu que já andava brava me irritei ainda mais. Você nunca entendeu bem minhas reações negativas ao seu eterno bom humor, eu sei. E foi isso. Não sei dizer mais nada sobre nós. Lembranças doloridas são deletadas por um filtro especial da minha mente. Não sei se é bom ou ruim ter o tal filtro, mas já aprendi que é difícil resgatar sozinha qualquer informação lá de dentro. Dói. Daí vira e mexe acabo mesmo desistindo de procurar demais. Então fico com essa cena. Meu rímel borrado, e você rindo, rindo. Fade out.

sábado, novembro 13, 2010

Algo que vale a pena



"Já mudei tudo de lugar
Inventei muitas frases pra dizer
Mas mesmo assim
Eu ainda estou só

Já comprei todos os long plays
Dos artistas que você sempre gostou
Mas mesmo assim
Eu ainda estou só

E eu não vou nem ligar se você me disser
Que não vai mais voltar
E eu não vou nem ligar se você me julgar
Mais um cara vulgar
No fundo deste poço achei algo que vale a pena

Já roubei muitos corações com as canções mais nervosas
Que o mundo há de ouvir
Mas agora estou só

E não pense que é tão ruim
Sendo só, os meus discos posso ouvir e ser feliz
Bem longe de ti..."

(Pública - Long Plays)

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Fênix

Do fim do ano passado até o começo desse ano, eu morri. Morri, e muitas pessoas sequer perceberam. Ninguém no meu trabalho, por exemplo, sequer deve ter imaginado a revolução que se passava aqui dentro. O quanto em alguns dias eu só sentia vontade de chorar e mais nada, e permanecia aqui, firme e forte, sem demonstrar nada. Às vezes ia chorar no jardim, no banheiro, no estacionamento, escondida pelos cantos. Mas eu ressucitei. Fui salva, na verdade. Meu filho me salvou com seus sorrisos. Meu pai com seu silêncio sempre encorajador. Muitos amigos salvaram minha vida virtualmente, por msn, por sms, por telefone. Minha terapeuta me salvou semanalmente, a terapia floral salvou gota a gota. As minhas amigas da materna me salvaram com suas palavras fortes e determinadas. Alguns amigos mais próximos me salvaram com seus abraços. Um em especial me salvou com olhares, mas sequer sabe disso. Outro continua me salvando até hoje, e nem amigo é mais, porque virou meu namorado. Mas o que importa é que deu certo. E tô aqui. Tão mais forte, tão mais forte. Que pareço outra pessoa mesmo. A outra não foi enterrada, não. Virou cinzas, mesmo. Poeirinha cinza, pedacinhos que se juntaram pra formar essa nova pessoa aqui. Que bom. Que bom!

terça-feira, abril 01, 2008

Palco Vazio

"Aconteceu...
Estrelei um papel que não era meu na sua vida
Não tive talento,
Fui desatento,
Não decorei sua cor preferida...
Não tive saída,
Aconteceu

E num palco vazio você me deixou
a luz se apagou
Não li o roteiro
se o mundo inteiro
pudesse aplaudir a cena que eu inventei pra nós dois
Mas não tenho escolha
Agora adeus, adeus
Não tenho escolha
Adeus...
(eu peço desculpas)
Adeus..."

(Mauro Motoki - Ludov - Aconteceu)

quinta-feira, dezembro 27, 2007

aaaaaaaaaaaargh

So kiss me and smile for me
tell me that you'll wait for me
hold me like you'll never let me go
I'm leaving on a jetplane,
don't know when
I'll be back again,
oh babe I hate to go
I hate to go...

...Now the time has come to leave you
one more time, let me kiss you
close your eyes and I'll be on my way
Dream about the days to come
when I won't have to leave alone,
about the times when
I don't have to say...