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terça-feira, março 09, 2010

Sobre fantasmas, aparições e outras figuras assustadoras



"Marcelo: Silêncio! Não fala! Olha — vem vindo ali de novo! (Entra o Fantasma.)
Bernardo: Com a mesma aparência do falecido rei.
Marcelo: Você é um erudito; fala com ele, Horácio.
Bernardo: Não te parece o rei? Repara bem, Horácio.
Horácio: É igual — estou trespassado de espanto e medo.
Bernardo: Ele quer que lhe falem.
Marcelo: Fala com ele, Horácio.
Horácio: Quem és tu que usurpas esta hora da noite
Junto com a forma nobre e guerreira
Com que a majestade do sepulto rei da Dinamarca
Tantas vezes marchou? Pelos céus, eu te ordeno: fala!
Marcelo: Creio que se ofendeu.
Bernardo: Olha só com que altivez vai embora!
Horácio: Fica aí! Fala, fala! Eu te ordenei — fala! (O Fantasma sai.)
Marcelo: Foi embora e não quis responder.
Bernardo: E então, Horácio? Você treme, está pálido.
Não é um pouco mais que fantasia?
Que é que nos diz agora?
Horácio: Juro por Deus; eu jamais acreditaria nisso
Sem a prova sensível e verdadeira
Dos meus próprios olhos."

(trecho de tradução de Hamlet - William Shakespeare)

segunda-feira, agosto 24, 2009

Ctrl-c Ctrl-v

"(...) Na sua varanda sem céu, certa vez, você se sentou naquela cadeira sem fundo. Me colocou no seu colo e me deu o abraço que disparava corações em mim como se eu tivesse um em cada nó de veia. E me disse, com sua voz tão bonita, a mais bonita que eu já ouvi, que eu tinha subido todos os seus andares. Eu entendi que você era o homem da cobertura de aço e eu uma espécie rara de passarinho que tinha algum tipo de chave que se autodestruiria em poucos segundos. E eu entendi também que agora que tinha chegado ali, só me restava pular, já que ninguém aguenta o alto tão alto muito tempo. A vertigem que era o nosso amor. (...) Tudo isso que daqui a pouco, quando a sensação desgraçada de absurdo e solidão passar, tudo isso volta, se acomoda, a agenda mágica, o gostosinho no peito, esquecer você todo dia um pouco pra vida e todo dia muito por dia. Mas agora, hoje, guarda isso, eu amo demais você. Por que escrevo? Porque é a minha vingança contra todas as palavras e sensações que morrem todos os dias mostrando pra gente que nada vale de nada. Toma esse texto, o único lugar seguro e eterno pra gente."

(O único lugar pra sempre - Tati Bernardi)

quarta-feira, abril 22, 2009

Deixa pra lá...

"Ziguezagueando zonzo de te procurar,
Eu tranco no meu pranto canto alto de euforia
Que eu queria te cantar.
Guardo pra mim.
Deixa estar..."

(Deixa Estar - Marcelo Camelo - Los Hermanos)

sábado, abril 18, 2009

Sentimental - Los Hermanos

Sentimental

"O quanto eu te falei que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você,
Não vai me livrar de viver

Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar.

De tanto eu te falar você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão
Pra se perder no abismo que é pensar e sentir

Ela é mais sentimental que eu!
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais.

"Si ella te habla así, con tantos rodeos, es para seducirte
y verte buscando el sentido de aquello que vos oirías displicentemente.
Si ella fuera directa, vos la rechazarías".

"Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te
ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."

Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir."

(Sentimental - Rodrigo Amarante - Los Hermanos)

Essa música fala de ter que viver as coisas pra poder aprender. Não adianta me contar que algo dói, que algo não funciona, a cabeça dura aqui só aprender vivendo, só aprende quando sente a dor na própria pele. Não adianta você me falar: cuidado, cuidado, cuidado! Só páro quando quebro a perna mesmo, quando o chão já cedeu e eu já fui... Não adianta me falar que isso vai mudar, não adianta avisar, dando motivos ou não, não vai adiantar, isso não vai me ensinar a viver... Quando vem a dor, aí sim, aí eu entendo... Experimentação pura, simples e dolorosa...
Quem é mais sentimental que eu? Não sei, talvez ninguém... Egoísta a frase, né? Mas é assim que funciona... Nossas razões, nossos motivos, tudo é claro e nítido, tudo amparado pela sentimentalidade toda... Ninguém é mais sentimental que eu. Aqui é puro sentimento mesmo, pra conseguir racionalizar demora...
De tanto falar, a gente subverte o sentimento e transforma em razão... E assim se destrói tudo mesmo... Ruína...Fazer de um sentimento razão faz a gente se perder mesmo... Pensar em sentir subverte tudo mesmo... Ela é mais sentimental que eu, então fica bem se eu sofro um pouquinho mais... Eu diria que essa parte retrata o fato de que sempre cada um tem tantos motivos pra explicar suas atitudes. Tantos motivos, tantas dores, que sempre pega bem "sofrer um pouquinho mais"... Não é nem de caso pensado, vejam, é quase inconsciente esse sofrer um pouquinho mais.É a troca de motivos, de razões, de porques... Tá doendo aí? Então veja, porque aqui tá doendo um pouquinho mais... Sobre essa parte em espanhol, é isso mesmo... Quando a gente fala as coisas subjetivamente, o significado é mais pensado, mais refletido... As pessoas ficam tentando descobrir o que significa cada coisa, dá mais atenção a cada palavra porque o sentido não está óbvio... Se eu fosse direta, talvez você me rejeitaria...
Por último, o mimo... A parte da música que reflete quem está acostumado a ser mimado, a ser o centro das atenções, a ter tudo o que quer... A posse... ´Mesmo sabendo que é impossível, mesmo sabendo que ñinguém nunca é exclusivamente de ninguém, ele pede por isso... Eu não aceito outra condição... Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir, porque fingir me acalenta, me acalma... Fingir faz as coisas parecerem diferentes do que são, às vezes melhores, por que não?

É isso aí, feito meio rápido, meio de bate pronto, mas tá aí... Fazia tempo demais que não analisava musiquinhas por aqui... Não vou revisar não... Vai como está... Minha verdade...
Foi...

segunda-feira, abril 28, 2008

Oiraciler

"...Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite..."

Tem dias que eu acordo e tenho absoluta certeza de que você é tudo aquilo que eu sempre quis e que isso nunca vai mudar. Gostaria muito de não ser tão inconstante, mas o que me consola é que quando o terremoto passa (rs... piadinha de paulistana)tudo se acalma novamente e consigo me centrar e me focar em mim de novo, é só você quem eu consigo enxergar. Sinto falta de te encontrar, queria que fosse mais fácil às vezes... Mas você está sempre aqui, em coisas pequenas e em pensamentos grandes, pode ter certeza absoluta disso.

quarta-feira, março 19, 2008

ai ai

Eu AMO o Frejat... AMO... Não sei se a letra é dele, mas a interpretação é linda...
E caiu como uma luva pra hoje.

"Nosso encontro aconteceu como eu imaginava
Você não me reconheceu, mas fingiu que não era nada
Eu sei que alguma coisa minha, em você ficou guardada
Como num filme mudo antes da invenção das palavras

Afinei os meus ouvidos pra escutar suas chamadas
Sinais do corpo eu sei ler nas nossas conversas demoradas
Mas há dias em que nada faz sentido
E o sinais que me ligam ao mundo se desligam

Eu sei que uma rede invisível irá me salvar
O impossível me espera do lado de lá
Eu salto pro alto eu vou em frente
De volta pro presente

Sozinho no escuro nesse túnel do tempo
Sigo o sinal que me liga à corrente dos sentimentos
Onde se encontra a chave que me devolverá
O sentido das palavras ou uma imagem familiar
Mas há dias em que nada faz sentido
E os sinais que me ligam ao mundo se desligam

Eu sei que uma rede invisível irá me salvar
O impossível me espera do lado de lá
Eu salto pro alto eu vou em frente
De volta pro presente..."

(Túnel do Tempo - Frejat)

terça-feira, março 18, 2008

Eternal Sunshine

Cara... Não é assim tão difícil de entender, mas vamos lá, de novo... Todo relacionamento quando acaba, quando esfria, quando dá pause, quando dá tempo, quando passa por uma fase difícil e complicada, todo, TODO e qualquer relacionamento causa sofrimento. Faz a gente chorar, faz a gente magoar e/ou ser magoado, faz a gente se sentir a última das criaturas, seja por estar finalizando algo com alguém, seja por estarem fazendo isso com a gente. Mas, meu, definitivamente, não é essa a parte que importa. Porque só alguém muito muito muito egoísta é capaz de deletar tudo o que aconteceu de bom e importante para se apegar só ao ruim. E VOCÊ não é assim. Você pode ser muitas coisas, pode ter muitos defeitos, mas egoísta não. Pelo contrário. Eu não sei onde isso vai me levar. Gostaria muito de saber, só pra te confortar, só pra te deixar menos inseguro, só pra ver de volta o brilho que eu cheguei a ver nos seus olhos, mas eu não sei. Não sei responder. Eu só sei que dói, mas não é o que interessa. As boas lembranças ficam, elas estão aí pra sempre, são nossas e Lacunainc ainda é ficção, embora em momentos de desespero parece ser até que uma saída interessante. Não é. É saída para fracos. E VOCÊ. Você não é fraco. Mil defeitos. Todos eles. Mas fraqueza não. Não delete. Adicione. Acredite, é o melhor pra gente.

segunda-feira, março 17, 2008

Heartbreaker

Quase me ofende quando te vejo dizer que tô brincando com você. Porque parece que eu controlo isso tudo. E não controlo, é claro. Parece que faço propositalmente, que estou sendo individualista, egocêntrica... Parece que só penso em mim. Não é a verdade. Você não foi brinquedinho pra mim, não foi algo que tive, aproveitei e enjoei, deixando agora de lado. Pára. É estranho descobrir que você acha isso. E que faz questão de dizer pro mundo. Porque você não é assim, não costuma deixar esse tipo de coisa pública. Então que é? Quer chamar minha atenção? Quer que eu me sinta mal por te fazer sentir assim? Não, não gostei. Porque você não entendeu ainda aquilo que tantas vezes expliquei. Que sua dor é minha dor, mesmo sendo cada uma de seu jeito, mesmo eu tendo que enfrentar a minha e você a sua. Da forma que for melhor pra cada um. Enfim, em resumo era isso.

barquinho

"Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará."

A questão é toda essa: fluir. Tão difícil deixar fluir. Mas é o que precisa ser feito agora. Virar barquinho, mesmo. Relaxar e observar o caminho, a paisagem, perceber minha respiração sempre tão junta da respiração do meu pequenino. E assim vamos fluindo, juntos. Correnteza leve, por favor. Que não estamos assim muito prontos pra grandes tormentas. Tá tudo bem na verdade. É só uma questão de se encontrar. Porque as vezes eu me perco e fico me procurando, e não me acho. Mas quem sabe assim, deixando que a água vá me levando, não dá certo, né? Deus dará...

quinta-feira, março 06, 2008

Joelhos

E hoje foi bom. Foi leve. Senti falta dele. Saudades mesmo. Fazia tempo que não sentia. Assim, como antes. Coraçãozinho cheio. Devagarzinho, vai. Ah, se vai.
Um passinho de cada vez.
Retrocedendo, redescobrindo.
Suave.
Me sinto bem, me sinto mais feliz.
Alô, alguém aí em cima?
Faz durar...
Por favor, por favor...

Só faz durar.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Depois de um dia de floral eu fico assim, repara não...

As pessoas têm um pouco de dificuldade de entender a minha maneira de lidar com as coisas. Eu tenho meus limites, sim. Juro que tenho. Eu não sou assim boazinha o tempo todo não. Te juro que chega uma hora que me dá no saco e eu páro. E eu dou um ponto fnal mesmo. E nunca mais ninguém se mete a besta comigo. De querer levar vantagem em cima da mocinha aqui. Mas esse limite é variável, sabem. Tem vezes que é rápido, muito rápido, tem vezes que simplesmente ele fica elástico. E, cara, é o pai do meu filho, entendem? Tenho por ele o mesmo sentimento que gostaria que a minha mãe tivesse pelo meu pai se essa fosse a situação, sabem? Não queria ver a minha mãe surtando e brigando, e baixando o nível. Não queria ver meu pai passando dificuldades e minha mãe tripudiando, sabem? Existe toda uma tolerância, e esse é meu modo de ver as coisas... E se te incomoda, baby... I´m so sorry... Não posso fazer nada agora. Não posso. Porque seria agir contra tudo o que eu penso. E eu penso sozinha isso tudo, ninguém vem encher a minha cabeça de nada. Eu penso, sinto que é isso mesmo, que essa é a minha verdade e pumba, lá vou eu de cabeça... Na MINHA verdade. Que não é a tua. E nem precisa ser. Mas respeitem, please. O MEU ex, o pai do MEU filho. O MEU jeito de lidar com ele. E esse texto não tem um destinatário, não mesmo. É meio que uma explicação universal, uma justificativa para o mundo, já que eu adoro ficar me explicando. "Faz isso porque não se banca" diria a minha ex psicóloga. Talvez. Mas banco o que eu acho. E se mudar de idéia venho aqui bancar também. E dizer que me fodi com essa história de ser boazinha. E vai ser mais uma que vou levar na cara e aprender.

"Tu jamais sem ti
Eu jamais sem mim"

E agora mais particularmente falando, mesmo de forma pública. Tipo, é muito isso. You got it... Você tem isso com você que eu SEI. Você preza demais a sua individualidade, teus valores, teu jeito, tuas coisas. Preza sim, que eu sei, e admiro isso. E não quero estar com vc sem mim. E mudar qualquer coisa que seja, qualquer coisa, da minha forma de ficar calada olhando pro teto sem perceber que tem alguém esperando resposta no MSN até o fato de simplesmente precisar parar um pouco e repensar pra onde esse barco todo que é a vida tá me levando. Da forma alucinada e descontrolada de comer absolutamente tudo o que vejo na minah frente sem sossegar enquanto não ver o fim até o fato de querer sempre ser a mãe perfeita e dar tudo o que eu puder pro meu filho ser a cada dia mais feliz. Essa sou eu. Sempre achando que gentileza gera gentileza. E é assim que eu vou. Meu ideal. Minhas pirações, minhas compulsões, meus exageros todos. Eu não sou doce. Quer dizer. Sou sim. Superficialmente. A princípio, sempre. Mas o buraco é mais embaixo e acho que é até legal você saber que está me vendo sem a máscara da mulher perfeita. É uma puta declaração de confiança eu te mostrar isso. Eu parar de sorrir o tempo todo pra você. Sabia? Pois essa sou eu comigo, eu do jeito que tem que ser pra ser de verdade. É, essas florzinhas sempre me ajudam. Me ajudam a enxergar tanto que até me assustam. Me fazem chorar, me fazem pensar, me fazem voltar a escrever de verdade sem medo de perder nada. É. Acho que estamos no caminho...

sábado, janeiro 26, 2008

Fragmento

E quando abriu o envelope selado e guardado como um antigo tesouro, eram fragmentos desses versos que encontrou...

"...Velho forte
Que não teme a morte...

Se és o mais sábio, de tudo deveis saber
Não tens os arroubos de Aquiles,
Nem tão pouco a força de Hercules.
Tua sabedoria é teu poder

O velho sabido
Pelo orgulho jamais corrompido...

E se o amor nascer e tudo mudar?
Não tens como saber, nem onde consultar
O que vai ser do velho que não sabe amar..."

Apertou, comovida, a folha manuscrita junto ao peito, lembrando de como tudo havia começado... Remexeu os papéis antigos, até encontrar sua resposta àquele verso.

Era meio homem, meio cavalo, mas em geral preferia que seu lado selvagem e indomável permanecesse calado, quieto, adormecido. Temia as flechas, e a dor que elas causavam. Tanto temeu, que foi atingido. Ferimento incurável, seu pior castigo. E agora, Quíron ferido? Passará a eternidade sofrendo? Sua sabedoria não consegue te curar? Talvez não houvesse cura, centauro. Talvez o correto seja sucumbir de vez à dor, baixar a cabeça, descer de seu posto de imortal... Talvez descubras que para a dor cessar é preciso morrer e se permitir nascer de novo, dessa vez na forma de estrelas...

Sorriu, meio de lado, quase orgulhando-se daquelas palavras. As imagens surgiam como flashs em sua mente, referências tão íntimas que só fariam sentido se fossem divididas com ele.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Jardim

"Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas."

"Deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver nascer uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente."

Para uma Avenca Partindo, trecho extraído de O Ovo Apunhaldo, Caio Fernando Abreu.

sábado, janeiro 12, 2008

Cartaberta

"Tenho um amor fresco, com gosto de chuva e raios e urgências.
Tenho um amor que me veio pronto, assim,
água que caiu de repente, nuvem que não passa.
Me escorrem desejos pelo rosto pelo corpo.
Um amor susto.
Um amor raio trovão fazendo barulho.
Me bagunça e chove em mim todos os dias."
(Caio Fernando)

Oi. Desculpa. Eu sei, era a última das coisas que você queria ouvir. Você nunca quer que eu me culpe de nada, quer que me liberte desse grande peso que eu vivo trazendo pra mim. Acho lindo isso. De você querer me libertar do que fica me maltratando, me ferindo. Sério. Mas me faz tão bem pedir perdão. Perdão por ser assim tão estranha, por ter na minha cabeça um turbilhão. E vai tudo girando, girando, esse universo inteiro de sensações e de prazeres e de alegrias que você me proporciona. Misturado com essa saudade filhadaputa e com esse vazio imenso que você deixa quando vai embora. É tão difícil controlar. Mas aí o tempo vai passando, e pelo visto meu tempo é proporcional à intensidade de tudo, e dessa vez foi tão forte. Não deu. Minha capacidade de assimilação é limitada. Muita coisa, cara, muita coisa. É querer demais de mim. Por isso perdão. Pela TPM. Loucura mensal que há tempos não me assolava, mas que pelo visto voltou, e eu vou ter que reaprender a lidar com ela assim como te ensinar que nesses dias o mundo inteiro começa uma conspiração secreta contra mim e eu começo a cair, cair, e a queda nunca termina. E enquanto caio vou me raspando em sentimentos, em prateleiras empoeiradas cheias de coisas guardadas. E isso dói. Meio Alice, sabe? Caindo, caindo, crescendo, diminuindo, milhões de pensamentos juntos, e eu ali, desse despencar eterno, entre potes de geléia, morcegos e antigos porta retratos. Mas acaba. Em lágrimas, que inundariam uma sala inteira se eu deixasse. Desculpa. Desculpa te tirar certezas e te colocar dúvidas. Desculpa te magoar sem nem sequer perceber e ainda subir no meu palanquinho portátil de dona da verdade absoluta que aponta o dedo na cara de todo mundo mas não se enxerga. Desculpa pelas minhas ausências, e me desculpa quando minha presença foi quase uma ausência, de tão nula. Eu te amo, e me descubro sua toda vez que o turbilhão termina. Resta rir disso tudo. Ou tentar. Fazer disso tudo só mais uma dificuldadezinha ultrapassada, entre tantas, tantas. Sorri pra mim? Diz que vai ficar tudo bem? Me pega no colo e cuida dos arranhões todos. Assopra. Me aperta e não larga nunca mais? Responde, tá? Tô te esperando. [insira aqui a mais brega das baladas farofeiras jovi/sambora. a escolha fica de acordo com a sua preferência. tiamo, assim, bem miguxa :o)]

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Por que?

"Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não de você, se sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces. Por que então assim tão de repente e duro, por que?"
(Diálogo - Caio Fernando)

Não me interprete assim, como se eu fosse tão simples. Não me julgue assim tão rápido, por favor. Não se feche, não se esconda de mim assim. Não por algo tão pequeno, tão bobo. Essa sou eu. Defeitos, qualidades, chatices, coisas legais... Posso mudar, mas não demais. Não tudo, não sempre. Posso fazer concessões, mas não escolhas definitivas. Porque não serei mais eu, entende? Não me ignore, não feche a porta, porque me afasta e me entristece essa falta de vontade de falar, de tentar, de dialogar. A gente conversou tanto sobre isso, e agora você se afasta assim. E me julgando, e achando coisas, e definindo preferências e estabelecendo valores. Não, essa não sou eu. Essa é alguém que você acha que sou eu. Precisa se aproximar pra tirar a dúvida. estou aqui sentada, coração na mão. E nem é o meu. É aquele que você me deu pra eu cuidar e que divide o travesseiro comigo toda noite.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

aaaaaaaaaaaargh

So kiss me and smile for me
tell me that you'll wait for me
hold me like you'll never let me go
I'm leaving on a jetplane,
don't know when
I'll be back again,
oh babe I hate to go
I hate to go...

...Now the time has come to leave you
one more time, let me kiss you
close your eyes and I'll be on my way
Dream about the days to come
when I won't have to leave alone,
about the times when
I don't have to say...

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Tu divagas

Tem horas em que não te reconheço. Te procuro, e sei que quando procuro, te acho. Fica ali, meio escondidinho, calado, mas queria tanto achar sem precisar procurar. Deve ser assim comigo também. Deve ter alguma hora em que você me olha e não me encontra ali. Deve ter um momento de estranhamento, mesmo que sejam segundos, mesmo que sejam rápidos instantes... Aconteceram alguns ali naquele carro. E agora estamos meio longe, apesar de tão próximos. Será que você está sentindo a minha falta também? Tem horas que agradeço aos céus a chance que temos de nos recuperar de nós mesmos. De parar pra pensar no que se deseja, no que se espera. Eu me avalio e você se enxerga melhor assim. Amo ter saudades dos seus olhos tranquilos, da sua voz sempre firme, da segurança que você me passa, da calma, da certeza de estar sempre ali, mesmo diante de pias lotadas de louças engorduradas, diante de corredores abarrotados de pessoas consumistas, diante de silêncios constrangedores frente a seres que nem tenho tanta certeza se valem a pena mesmo. Você, sempre você. Talvez os outros nem valham mesmo a pena, e quem sou eu pra ficar questionando o valor de alguém? Não. Não. Mas eu sinto tanta falta das suas palavras-abraço. Aquelas que sempre me acolhem. E senti tanta falta de um beijo, quando você saiu do carro. Ficou um beijo ali, no vácuo, quando olhei pra trás e vi sua mochila azul indo embora, cada vez mais longe. E fiquei pensando se você ia se cuidar, se ia comer, se ia tomar remédio na hora certa, e fiquei pensando em quem ia pentear seus cabelos depois do banho e todos aqueles sentimentos extremamente maternais que eu costumo cultivar. E nem é só com você. É um desejo de cuidar mesmo, fazer o que? Quase não consigo evitá-lo. Nem quero. E aqui estou eu diante desse computador frio, sozinha, embora acompanhada, solidão dos piores tipos, pensando na minha vidinha vazia. Cheia de probleminhas chatos que eu nem sei como começar a resolver. Maldito cheque, de onde ele veio? Maldita música a que vem do computador vizinho, que me irrita e me tira a concentração. Maldito almoço ruim de sempre. Maldita gente vazia de alma, de espírito, de conteúdo. Tô meio cansada. Pensando em como passa rápido o tempo, em como os dias simplesmente se esvaem, as horas vão embora... E cada vez que o pequeno chamava por você naquele carro era quase como uma punhalada. Me destruía. E os pensamentos vão surgindo mesmo sem sentido, mas talvez você encontre algum, porque até que você é bom nisso, sempre foi. Difícil a falta da despedida. Essa timidez não deixa que você seja a mesma pessoa sempre, apesar de eu saber que você continua ali. E que importa? Não deveria, mas dá certo incômodo. Não me importo com o que eles acham, mesmo, mesmo. Não me importo com o que ninguém pensa, mas quero linearidade. Quero que você seja sempre o mesmo comigo, estando diante de quem for, da forma que for, onde for. Só isso. Algo que me passa pela cabeça. Assim, agora, do nada. Acho que é por isso que estou meio estranha. Trabalhemos nisso. Também tenho tanto a trabalhar. Tenho real consciência disso. A gente vai dando um jeito, né. Em tudo. Foi tão bom até agora, e ainda deve ser melhor. Vai ser. Só sinto saudades e não gosto de não ter como dizer. Eu tenho, né. Mas sei lá. Tenho a impressão que você não gostaria. Deixa. Mantenho aqui meus pensamentos, que é mais seguro, e a gente vê se resolve isso tudo mais dia menos dia, né... Pelo menos essa distância é mais tranquila, menos assustadora, menos desesperadora. Desculpa não escrever com coerência, é pedir demais de mim. Sempre achei que seria mais fácil começar a escrever o quanto antes, mas sei lá, de repente dificulta algo. Os pensamentos girando devem atrapalhar a ordem das coisas e a minha compreensão fica meio alterada. Estou me sentindo em análise. Ainda bem que você já conhece o processo e é possível que não te apavore. Possível. Por favor, não se apavore, que nada é pra já, meu bem. Nosso amor não tem pressa, né? Ai ai, que maluca. Insana. Não daquele tipo de insana descrito antes. Outro tipo. Mas tá aí, espero que a gente se reconheça mais instantaneamente, e que possamos permanecer os mesmos um com o outro mesmo diante de quem quer que seja, e que as despedidas sejam mais trabalhadas, e sentidas, e acho que por enquanto é isso aí, daqui uns 15 minutos escrevo outra bíblia. Ou não.