"Te sequestrei
Vou te reter pra sempre
Na minha idéia
No teu lugar, talvez
Fique alguma tonta, uma dublê
Uma mulher alheia
Na minha idéia
Vives plenamente
És a pessoa
Com todas as canções
Os momentos bons
E as horas más
Que a memória coa"
(Chico Buarque - Romance)
Porque as pessoas que a gente cria, imagina, parecem mesmo ser muito melhores do que as que existem de verdade. Mas é que a gente esquece que nas ilusões não se pode tocar.
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terça-feira, maio 11, 2010
terça-feira, abril 13, 2010
Melissa e Kapeller 11
- Quando te vi pela primeira vez, daquele parapeito ali - e ele apontava um lugar indefinido da escuridão da janela do meu quarto - tive certeza de que seria você.
- Não, não teve.
- Você acha mesmo que eu te diria isso?
- Acho que não, por isso estou duvidando.
Ele sorria, os dedos passando suavemente pelo meu rosto. Estávamos deitados em cima do tapete redondo do chão, diante da janela, de onde enxergávamos o céu sem estrelas da noite de São Paulo. Os rostos próximos, mas sem nos encararmos.
- Não diria mesmo. Não para aquela menina. Ela não ainda estava preparada para saber.
- Aquela menina ainda está aqui, Chris.
- Será?
- Coberta por uma armadura de aço, mas está.
- Não consigo reconhecê-la.
- Assim como eu não consigo mais reconhecer você.
Nos olhamos por alguns segundos, mas foi impossível segurar o mal estar. Voltei a olhar pro céu. Ele quebrou o silêncio novamente:
- Não era game over?
- Digamos que você tinha um "continue" ainda.
Ele riu alto, como eu nunca antes o havia visto fazer.
- Isso deve querer dizer que eu jogo bem...
- Ou tem as senhas certas...
- Que sorte a minha
- Que sorte a minha
Sorrimos, e dessa vez os olhares conseguiram se encarar por mais tempo. Muito mais tempo.
"De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus..."
(Chico Buarque - Sem fantasia)
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segunda-feira, abril 12, 2010
Melissa e Kapeller 9
De: Kapeller ckapeller@lerolero.com
Para: Mel melissacacia@lerolero.com
Enviada: Segunda-feira, 12 de janeiro de 2010 00:56
Assunto: RES: Re: Re: hey
Saudades de você.
Não dessa você que encontrei ontem.
Mas daquela que precisava de mim.
Com urgência.
Um misto de orgulho e desespero te ver assim, tão forte, tão independente, tão segura.
Me quebra ao meio.
Me machuca de uma forma que eu achava que nada mais faria.
Me faz escrever esse tipo de coisa, do nada, e parar pra pensar no perfume dos seus cabelos.
Bela droga que esse velho aqui se tornou.
Bela droga.
Chris
"...Sabia
Gosto de você chegar assim
Arrancando páginas dentro de mim
Desde o primeiro dia
Sabia
Me apagando filmes geniais
Rebobinando o século
Meus velhos carnavais
Minha melancolia
Sabia
Que você ia trazer seus instrumentos
E invadir minha cabeça
Onde um dia tocava uma orquestra
Pra companhia dançar
Sabia
Que ia acontecer você, um dia
E claro que já não me valeria nada
Tudo o que eu sabia
Um dia..."
(Chico Buarque - Lola - mas poderia ser Melissa)
De: Mel melissacacia@lerolero.com
Para: Kapeller ckapeller@lerolero.com
Enviada: Segunda-feira, 12 de janeiro de 2010 01:42
Assunto: Re: RES: Re: Re: hey
"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é."
(Alberto Caeiro)
Eu sou o que você quis que eu fosse.
Os planos mudaram?
Lola
De: Kapeller ckapeller@lerolero.com
Para: Mel melissacacia@lerolero.com
Enviada: Segunda-feira, 12 de janeiro de 2010 01:49
Assunto: RES: Re: RES: Re: Re: hey
"Por que é que você veio me perder
Quer se divertir?..."
Os meus planos mudam a cada minuto.
Quero te ver.
De: Mel melissacacia@lerolero.com
Para: Kapeller ckapeller@lerolero.com
Enviada: Segunda-feira, 12 de janeiro de 2010 02:15
Assunto: Re: RES: Re: Re: hey
Ele desatinou...
Viu morrer alegrias, rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando e ele ainda está ... sonhando, divagando...
Quem não inveja o infeliz, feliz
No seu mundo de cetim, assim,
Debochando da dor, do pecado
Do tempo perdido, do jogo acabado...
Game over, Kapeller...
Game over.
(parceria minha com o Chico, grande Chico)
De: Kapeller ckapeller@lerolero.com
Para: Mel melissacacia@lerolero.com
Enviada: Segunda-feira, 12 de janeiro de 2010 02:28
Assunto: RES: Re: RES: Re: Re: hey
Touché...
"Será que já não vi
De modo impessoal
E em tempo diferente
Um dia estranhamente igual
Dias iguais
Outros olhos
No teu rosto
Vou falar teu nome
E já teu nome é outro
Outra bruma
Sombra de outro sonho, alguém
Na manhã de junho
Outono, outubro, além..."
Adeus, adeus, meu caos...
(Mais? Leia aqui)
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segunda-feira, abril 05, 2010
Nunca mais
"Como num romance
O homem de meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz
E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão foi desde então
Ficando flou
Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues
Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris
E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê
Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar
Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz
(A História de Lily Braun - Edu Lobo/Chico Buarque)
O homem de meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz
E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão foi desde então
Ficando flou
Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues
Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris
E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê
Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar
Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz
(A História de Lily Braun - Edu Lobo/Chico Buarque)
segunda-feira, agosto 24, 2009
De matar
"...Era tanta saudade,
é pra matar
Eu fiquei até doente,
eu fiquei até doente, menina
Se eu não mato a saudade, é "deixa estar"
Saudade mata a gente,
saudade mata a gente, menina
...
Estava ficando louco, louco, louco de querer bem...
Saudade engole a gente, saudade engole a gente, menina..."
(Tanta Saudade - Chico Buarque)
Lembrando de você a manhã todinha hoje, todinha. Eram tantas cenas passeando pela minha cabeça, que nem sei explicar. Só quero te ver logo, só isso. Vem me ver logo?
é pra matar
Eu fiquei até doente,
eu fiquei até doente, menina
Se eu não mato a saudade, é "deixa estar"
Saudade mata a gente,
saudade mata a gente, menina
...
Estava ficando louco, louco, louco de querer bem...
Saudade engole a gente, saudade engole a gente, menina..."
(Tanta Saudade - Chico Buarque)
Lembrando de você a manhã todinha hoje, todinha. Eram tantas cenas passeando pela minha cabeça, que nem sei explicar. Só quero te ver logo, só isso. Vem me ver logo?
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