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segunda-feira, julho 25, 2011

No impulso



"Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei." (C. Lispector), mas, guardadas as devidas proporções asrtísticas, poderia ser... MEU!

:D

quarta-feira, maio 06, 2009

Teste: que livro nacional você é?

Gente, eu AMEI o resultado desse teste... São livros que eu realmente adoro, tem tudo a ver comigo... Que legal!! Vejam os livros que eu "sou" segundo esse teste que eu roubei daqui:

"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector

Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos.

Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma.

Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.

Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria.

Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.

"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.

"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Entendo que não entendo



Não sei bem explicar o que foi que senti. Foi como um estranhamento, como um não pertencer àquela situação. Um silêncio esquisito, que não foi legal. Ainda mais depois de tanto ruído. A necessidade de preencher aquele vazio me incomodou, porque parecia ser só responsabilidade minha. Me doeu um pouco. Me dói quando a responsabilidade cai toda em mim. Porque meu maior prazer é dividir essa responsabilidade que é sempre tão minha. É bom de vez em quando ter quem olhe por mim. Ter quem me perceba sem que eu tenha que dizer nada. Notar. Sentir, pressentir. Porque esse pressentir está diretamente ligado à atenção, ao cuidado mesmo. Cuidar compreende estar atento, preocupar-se, distinguir nuances mínimas, e dar importância devida a elas. É tão feminino isso, é tão maternal. As parcas nuances são sempre muito explícitas pra mim, por isso é difícil aceitar que os outros não enxerguem. Mas às vezes eles simplesmente não conseguem mesmo ver. É nessa hora que dói. E eu nunca sei se devo me calar e aceitar as diferenças, ou me entristecer por não merecer o retorno do que ofereço. Não entendo, simplesmente não entendo.

"...Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação..."
(Clarice Lispector)

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Equalize

"O meu mundo não é como o dos outros. Quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade...sei lá de quê!” (Clarice Lispector)

Ai, que dia estranho e quente. Odeio calor, odeio odeio odeio calor. Putz, como eu odeio calor. Pelo menos essa cidade está vazia. Pelo menos eu não demoro duas horas no trânsito pra chegar no trabalho. Mas e daí? Os corredores vazios, as pessoas todas meio sem ter o que fazer, mas mantendo aquela pose de sempre, que eu não suporto, que eu não aguento. Hoje eu só queria ficar aqui quietinha escrevendo, escrevendo, ouvindo a minha musiquinha e escrevendo, escrevendo. Mas não dá. Porque a porra do telefone toca, mas nunca é ele. Porque a porra do chefe me enche de trabalhos sem noção que me dão uma raiva imensa da minha existência inútil. Ainda bem que meu filho estava a coisa mais linda e gostosa da face da terra cantando "bom dia como vai?"com os amiguinhos da creche e eu te digo que eu podia passar o dia inteiro só ali, quietinha, observando cada movimento dele. E não entendo como o pai dele consegue ficar tanto tempo longe. Não entendo, não entendo, mas não quero questionar isso agora. E onde você está agora, seu puto, que não me liga, que não me escreve que não aparece, e eu fico aqui caolha, maneta, perneta, meio torta. Mas que droga, será que você NÃO SENTE O MESMO????!!! Me revolta um pouco, me revolta... Mas passa, vai passar. E meu pai que muda mil e quinhentas vezes o lugar onde vai passar o fim de ano. E a Mary W. parou o blog... Como assim, Mary? Órfã de blogs inspiradores. Órfã... E que tomem no cu as pessoas todas que vem me desejar feliz ano novo. Que tomem nos seus respectivos CUS mesmo, eu só quero que o dia passe e que ele venha me ver, só isso. Não quero um feliz ano novo, quero ser feliz agora AGORA... Porque definitivamente não tô feliz agora. Argh. Que droga. Acho que exijo demais. Das pessoas, dele, do pai do meu filho, do meu próprio pai, do meu filho, da Mary W, de mim, de tudo e de todos. Exijo perfeição sendo que acho o imperfeito tão agradável. Não me emendo, e não me entendo, mas queria tanto tanto entender. Tudo é tão lindo, tão, bom, tão legal, e eu querendo sempre mais, mais MAIS. É justo? Não, não é. Nem um pouco. Nem comigo, nem com ninguém, mas é o que posso oferecer agora. Minhas exigências. Só. Vão encarar?