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sexta-feira, julho 29, 2011

Dele



"...– Camila?
– Hmmm oi. Tava aqui fazendo as contas.
– Hein?
– As contas. Me perdi nos pontos, sou um verdadeiro lixo em matemática.
– A conta do bar?
– Não, a minha.
– Como assim?
– Eu sou uma máquina de pinball.
– Ah...
Ah?
– Tem que apertar os botões certos na hora certa pra ganhar?
Sim!
– Sim! Meu deus, você entendeu.
– Entendi.
– Quer casar comigo?
– Que horas?
– Agora. (...)
Quando acordei e olhei pra ele, acendeu uma luzinha que eu achava estar queimada. Vai ver era só mau contato. Plim. Eu sorria como uma Barbie. Não fumei nenhum cigarro, não tomei nenhuma bola. Almocei salada. Meu computador travou 34 vezes, o ventilador estragou, a internet estava lenta e eu estava com o torcicolo do mal. E a luzinha lá, firme. Não preciso de comida, não preciso emagrecer, não preciso de dinheiro, nem de cigarro, nem de vódega, nem de anfetaminas. Não preciso trabalhar nem pagar o aluguel nem a luz nem a água nem o Speedy. Não preciso de lentes novas, amaciante, margarina ou um corte de cabelo. Eu preciso dele."

(Clarah Averbuck - Máquina de Pinball)

segunda-feira, maio 19, 2008

A maior verdade do mundo

"Todos os homens do mundo têm entre 12 e 18 anos. Todos, todinhos. Os de 18 são os que têm namorada, carro e emprego. Os de 14 até pegam mulheres às vezes, mas preferem jogar videogame com seus amigos a passear com as garotas. Os de 12 não notam quando as coleguinhas ficam a fim deles e é preciso que seus amigos os cutuquem e avisem que a Mariazinha está encarando e cochichando e trocando bilhetinhos e risadinhas com as amigas há horas."

(Clarah Averbuck - Máquina de Pinball)

E é 1 damanhã.
E eu não consigo parar de ler.
Rá!

Traduzindo pensamentos

"... Pára. Pára tudo.
Pára de cagar regra sobre como devo fazer o que faço. Pára!
Não me julga. Não me olha com pena nem desprezo. Você não pode me olhar com pena ou desprezo porque, sem saber, faz exatamente a mesma coisa que eu e conta que superou tudo na terapia. Yeah, right. Se tivesse superado, não precisaria dizer e acenderia o milésimo cigarro com ar de superioridade. Esquece, desce daí, te vejo aqui do meu lado, não quero saber se você é foda e lindo e se vai me dar mais uma chance. Se não der, não vai ser apenas problema meu, não é só virar as costas como quem desiste do restaurante porque é caro ou demorado ou porque o garçom botou o dedo no nariz. Somos dois. A merda foi minha, admito, me ajoelho, não consigo nem chorar porque seria ridículo e exagerado fazer isso na sua frente. Mas conto. Digo que chorei, e chorei mesmo, choro doído, travado, com pessoas de voz aguda que me olham de cima a baixo na casa escura e enorme e gelada e cheia de morangos e comidas e pessoas e longe de você.
Longe nada. Longe é agora, longe é quando você ignora minha tentativa
de redenção. Fui pra te ver. Vou de novo, desisto de tudo, talvez me arrependa mas desistiria de tudo, trabalho, braço, perna, mão. Eu quero você. Mas não tenho, não vou ter porque você fugiu com a maldita garrafa de vodca. Vodca. Bebida. Sou mesmo uma idiota, adolescente descontrolada que fez a maior merda, a coisa mais errada, escolhida inconscientemente a dedo para tornar tudo mais difícil e irreversível e dolorido, porque o drama me move, me mexe, me empurra pra frente ou pro lado ou pra cima ou pra onde quer que eu tenha que ir. Dez dias me tiraram cinco anos em minutos. Dez dias duraram meses. Dois dias duraram meses. Cinco anos duraram meses e voltei ao ponto de partida. O que posso fazer agora além de esperar sentada, comportada, com as pernas cruzadas e um cigarro na mão? Nada. Esperar. Não adianta correr porque você é mais rápido. Sentada esperando, quem diria. Foda-se o drama, eu quero você. Me diz como. Me diz logo. Eu quero você.
Não adianta, ele quer tempo. (...) Homens, eu os amo mas eles fodem com a minha cabeça. Não entendo. Entendo, claro. Mas não entendo. Ou entendo e quero tornar as coisas mais fáceis e perdoáveis para mim mesma. Argh. Preciso é dar um jeito de arrumar o caos que eu sou."

(Clarah Averbuck *reverência* em Máquina de Pinball)

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Ctrl-C Ctrl-V

Direto da Clarah... Pra variar, me identifico. Muito. tsc... Vejam:

"CHE
GA.

não tem ninguém pra te carregar e, mesmo que tivesse, você nunca ia deixar. você só se deixa levar quando está feliz, nunca assim, pesando. chega de pesar. isso não é você. não sou eu. não somos nada disso.

é ela.

me lembrando que existe, que sempre vai estar aí. na saúde e na doença, na euforia e na depressão. i'm married to a mental condition. mas ah, ela não vai me pegar dessa vez. eu não vou deixar. não vou deixar aquele brilho voltar para os meus olhos e depois se apagar de vez. nada mais disso. nada mais de acontecer, me esvair e depois abraçar os joelhos sem forças para respirar. chega de montanha-russa. não tem a menor graça.

te peguei primeiro, vagabunda."